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segunda-feira, 4 de julho de 2011

CASA BRANCA (SOUSEL)



Casa Branca é uma freguesia portuguesa do concelho de Sousel, com 100,83 km² de área e 1.392 habitantes (2001). Densidade: 13,8 hab/km².
Localizada numa extensa planície coberta por olivais, no fértil Vale de Freixo, junto à margem direita da Ribeira do Almadafe, a freguesia de Casa Branca dista doze quilómetros da Vila de Sousel. A agricultura mantém-se como principal actividade económica, assente na exploração da vinha, olival (azeite), cortiça, tomate e cereais. A indústria lagareira tem um papel preponderante na economia da freguesia.
Toponímia
Em relação à formação e origem do topónimo «Casa Branca», fala-se que este deriva de uma casa isolada, construída para guardar os utensílios de lavoura de uma quinta aí existente, designada Quinta do Zagalo:
«a primeira [casa] que ainda existia edificada, datava de 1581 construída, sem dúvida, do calcário muito branco que ali existia e que exposto à acção da luz, se petrificava e assim facilmente se faziam blocos, quando ainda brando, para após o seu endurecimento, se construírem os muros, ficando os prédios, mesmo sem cal muito brancos e quem sabe, talvez daí a origem do nome «Casa Branca», que se estendeu a todo o aglomerado de casas.»
Por outro lado, a dita casa era uma referência para os caminhantes da época, especialmente para os padres vindos de Évora que, ao avistarem-na, sabiam estar perto do seu destino: Avis.
História
A documentação existente é pouco clara quanto à origem de Casa Branca. Um documento de Manuel Severim de Faria (1582-1655) refere que os terrenos onde assenta hoje a freguesia de Casa Branca pertenciam ao Conde de Sabugal, D. Duarte de Castelo Branco. Este possuía, entre outras propriedades, uma herdade junto ao Concelho de Avis, ao norte do Lameirão.
Em virtude da pobreza desses terrenos, D. Duarte de Castelo Branco auferia poucos rendimentos da herdade, o que resultou na decadência da mesma. Por conseguinte, resolveu D. Duarte de Castelo Branco dividir esse vasto morgado em glebas para aforamento a particulares. Os foreiros tinham como obrigação «o pagamento de um certo foro anual e os quartos». Conseguiu, assim, o Conde de Sabugal «uma povoação de alguns cem visinhos que lhe rende hoje o dôbro que a herdade lhe rendia (…)», justificando assim a divisão territorial por ele efectuada1. Ao longo do tempo, foram os descendentes alienando todos os terrenos em volta, onde se construíram propriedades urbanas.
A freguesia sediava-se primitivamente em São Brás. Após o grande terramoto de 1755, que também sacrificou esta freguesia, foi extinta a sede (São Brás) que tinha na altura «noventa e seis vinhas dentro da Aldeia e setenta e duas dispersas pelos montes»2. Permaneceu, desses tempos, o nome de uma importante feira, a «Feira de S. Brás» ou «Feira das Cenouras», que acontecia todos os anos no início do mês de Fevereiro e onde se realizavam «importantes transacções em porcos gordos, gados de todas as espécies, azeites, etc.»3.
Na década de 30 do século XX, a vida económica da freguesia de Casa Branca estava marcada pela grande produção de trigo e pela exploração dos vastos montados de azinho e sobro, como também dos olivais.
Notas de Rodapé
1. M. S. Faria citado por Lavaredas, Brados do Alentejo, 1936
2. Lavaredas. Brados do Alentejo, 1932
3. Brados do Alentejo, 1934
(fotos josé varela)

SANTO AMARO (SOUSEL)


Santo Amaro é uma freguesia portuguesa do concelho de Sousel, com 39,51 km² de área e 706 habitantes (2001). Densidade: 17,9 hab/km².
Em meados do século XX, Santo Amaro tinha pouco mais que trezentos habitantes, chegando aos setecentos, em 1991, de acordo com o Recenseamento Geral. Não obstante este razoável índice de crescimento, Santo Amaro mantém-se a freguesia menos povoada do Concelho de Sousel. A agricultura é a principal actividade económica, nomeadamente, a olivicultura e os cereais.
História
Santo Amaro nasceu em terras da Ordem de Avis e foi a última freguesia a incorporar o Concelho de Sousel. Segundo o Padre António Carvalho da Costa, pertencia esta freguesia ao Concelho de Veiros que:
«(…) Tem 200 visinhos que se dividem por duas Paroquias huma é dedicada a Santo Amaro, cuja imagem foy achada no próprio lugar, em que está a Igreja, à qual concorrem muitos devotos Romeiros todo o ano (…)»1
O topónimo da freguesia «Santo Amaro» terá tido provavelmente aqui a sua origem.
No século XVIII, a «Aldeia de Santo Amaro» era considerada uma «freguesia de campo», desprovida de centralidade urbana, dado que os 16 vizinhos que a compunham se encontravam dispersos por montes. A aldeia propriamente dita, ou seja, uma urbanização estruturada à semelhança do que existe hoje, terá começado a surgir apenas na viragem do séc. XVIII para o séc. XIX, como evolução natural da fixação da população rural na aldeia, incentivada pelo aforamento de terras e pela oferta de trabalho nas explorações agrícolas circundantes.
Santo Amaro pertenceu ao extinto Concelho de Veiros até 1855. Nesse ano, foi anexada ao Concelho de Fronteira, o qual integrou até se transferir para o Concelho de Sousel, pelo Decreto-lei n.º 22.009, de 21 de Dezembro de 1932. A então nova freguesia do Concelho de Sousel foi presenteada com um conjunto de melhoramentos, que conferiram à freguesia de Santo Amaro uma nova centralidade. Entre 1934 e 1936, a freguesia de Santo Amaro é dotada de um «distribuidor rural» (responsável pela distribuição da correspondência local), de luz pública (ainda a petróleo), de um novo cemitério, de um edifício escolar e de uma verba para a construção de um posto médico na aldeia.
O jornal estremocense Brados do Alentejo, em 23 de Abril de 1933, referiu-se assim relativamente à inauguração da luz pública em Santo Amaro:
«Hoje, porém, dia 16 de Abril, homens, mulheres e crianças, todos em idêntica confraternização, esperavam com delírio e desejo a hora aprazada do acender de luzes. (…) Até que enfim se viu o primeiro candeeiro aceso, e logo a seguir todos os outros»
Notas de Rodapé
1. (Padre A. C. Costa. Corografia Portuguesa…, 1708)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

MONTADO VELHO



Meu triste montado velho
Que paz tem quem te procura
E, em ti, vem achar o espelho
De uma vida sem doçura,
Mas livre de enganos vãos !

Troncos rugosos, mas sãos,
Ásperos, sim, mas generosos,
Todos, na desgraça, irmãos,
Dos maus Invernos ventosos
E dos verões, sem pinga d’água.

Montado, que estranha mágua
Te confrange e te redime !
A tua visão afago-a .
És bom cenário pra um crime …
E pra milagres também.

Montado, além, mais pra além,
Há céus azuis e há searas.
E brandas águas que têm
O brilho de pedras raras,
E não há só solidão !

Mas essa tua canção
- solução d’alma que anseia –
Também a meu coração,
Furtivamente se enleia.
E aqui me fico contigo.

Sem ternura, nem doçura;
Mas longe do mundo vão,
- Meu velho montado amigo !

Francisco Bugalho, o poeta a quem José Régio chamou o pintor da Natureza, recorre a uma expressiva paleta de sensações com que ilustra a Natureza, transcendendo os sentidos pela sua faculdade de sonhar, contemplar, cismar e abandonar-se.

domingo, 13 de março de 2011

UM AMOR MUITO DESEJADO !!!



..te vejo ali, parada, me olhando só... não há palavras, nem medos, nem lágrimas... há apenas um olhar profundo e um toque suave como se fosse o toque mais importante deste mundo... te olho e te fixo a alma... te possuo mesmo antes de te tocar, de te amar, até mesmo antes de te olhar... é tudo muito mais forte do que o meu querer... olhar-te bem dentro mesmo sem te ver... sentir-te só de te desejar, ali, parada numa pose linda, somente a me olhar... fixo tua boca e te sorvo completa... te abraço sem te abraçar... te afago sem afagar... te penetro sem te penetrar... está tudo ali, em ti, a meu lado... basta te desejar... e teus olhos já me possuiram... e teus olhos já me abraçaram... e teus olhos já me sentiram... ali, sem questionar, te estendo a mão... vejo teu corpo a arfar.... e sentes minhas mãos te tocar... e teu corpo em minha alma se entregar... tudo tão simples: apenas o desejo de te desejar..."
Também eu já padeci,
desse “mágico” cansaço!
O coração, deseja,
o pensamento, sufoca,
a dúvida, atormenta,
a mente, estala,
o corpo, estremece,
e a alma, grita!

Para "ti", que "foste hoje, o amanhecer do meu dia!"
Mereces!!!


segunda-feira, 3 de maio de 2010

OLHAR A PLANICE !!


Acordei com o cheiro do Alentejo, aquela ansiedade costumeira que eu tenho sempre que penso deslocar-me de carro, só passa quando estou instalado ao volante, ouvindo musica da minha rádio preferida.
Pouco trânsito, claro eram sete da manhã e foi feriado, rolei como gosto e para primeira refeição uma bifana " daquelas de Vendas Novas " foi de "estalo".
Assim , fui-me aproximando da planice , chegando devagarinho, inalando o cheiro de um chuvisco que apareceu entre Montemor e Arraiolos, nada interrompia a minha
viagem no tempo.
Não, não gostei da condição da estrada ,pior um troço de Estremoz para Sousel,mais se acentuam as assimetrias quando maior é a distancia do litoral.Mas naquele momento nada importava, se bem que aquela troço o asfalto ainda deve ser o mesmo de à 40 anos, quando eu andava à boleia num vai-vem para a cidade de Tomaz Alcaide.
Olha. lá está ele , o castelo ,sinal que estava chegando, mais uma vez matei a saudade a mais uma vez viajei no tempo............ que felicidade, subi a Rua do Reguengos e fui direito ao Rossio , para estacionar a viatura.
Fui ao mercado , passeei entre legumes fruta e o celebre BRILHOL... já faz um tempinho.
Depois desloquei-me para a FIAPE ,fui a procura de uma amiga destas andanças A BOLOTINHA , encontrei vi o seu stand , achei uma simpatia , vi também uma Empresa de Sousel bem representada , onde eu trabalhei, gostei.... visitei alguns stands a passei pela nossa gastronomia .
Espargos com carne de porco preto ,à pois é !!!
Tinha que ir a Sousel para uma passagem rápida.... e fui, um silencio de ouro e uma nostalgia imensa ....
Foto:jrsimas

sábado, 6 de março de 2010

"A PASTELEIRA"


A minha bicicleta
só tem dois pedais
mas se monto nela
não tem dois, tem mais !

A minha bicicleta
tem um guiador
quando monto nela...
...sou aviador!

No jardim onde ando
não vejo um canteiro...
sou aviador,
vejo o mundo inteiro

Voo mesmo a sério !...

Por cima das árvores
(não toco no chão!)
voo mesmo a sério
vou de avião...

A minha bicicleta
também tem selim
mas eu nem me sento,
gosto mais assim :

Pedalo em pé
dá mais rapidez
a minha bicicleta
é o que tu vês:

É um avião,
pois eu não te digo?!

Da próxima vez...

Da próxima vez
Levo-te comigo?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A RAÇA DE UM ALENTEJANO !








É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.

- Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";

- dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;

- dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
- dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;

- dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;

- dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;

- e dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.

O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada

uma das raças. Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.

É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.

Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?

Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que
«as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».

E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso.

fonte:aserra

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A MÁSCARA DO CARNAVAL!


Veio-me à memória, agora por ser Carnaval , faz hoje precisamente uns bons anos , miúdo e sem grande tendência para me travestir para o que quer que seja ,acanhado e pouco extrovertido , lá fui entusiasmado pela minha mãe e pelas vizinhas da minha convivência.
Nas terças-feiras de Carnaval havia em Sousel ou ainda há ,mais própriamente o Baile de Máscaras nos AZUIS (Atlético Clube de Sousel ) premiavam a melhor máscara, que se apresentasse desde o começo até à meia-noite quando era obrigatório termos que desmascarar , o júri que era constituído pelos dirigentes dos Azuis com alguns conselheiros.
Vão estas duas alminhas ,Eu e Amigo Álvaro Cartas desfilar em pleno salão do respectivo Baile . eu de palhaço rico ,porquê rico , por se fosse de outro não estaria à altura de o merecer , pouco dado a tão nobre arte de fazer rir os outros.
Assim estaria salvaguardado não a mascara mas quem estava por detrás dela .
O amigo Álvaro , não me recordo qual a mascara ! ? ele que me diga se ler este post.
A única e a ultima vez, mas o mais difícil seriam as passeatas ao perímetro do salão,a ansiedade de resolver o problema onde estava metido que chegamos já com imensa gente dentro da sala e ainda sem algum mascarado.
Claro que a finalidade era não sermos reconhecidos, porém ouvi logo uma "boca" ò Zé Piteira , pronto, surpresa estragada, fui conhecido pelas orelhas , não que elas fossem grandes , antes pelo contrário.
As ilações que tirei mais valia ter continuado com a minha "MÁSCARA" não era surpreendido .
Mas consegui divertir-me , bailei mais de que as outras vezes ..... !!!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

SE FORES AO ALENTEJO........


SE FORES AO ALENTEJO ....


O mar deixou o Alentejo
onde trouxe canções de oiro
Mas volta a matar saudades
Nas ondas do trigo loiro

Se fores ao Alentejo
vai,vai, vai,vai,vai
não te esqueças dá-lhe um beijo
ai,ai,ai.ai

Nas capelas e nos montes
Há sorrisos de brancura
onde fala a voz de Deus
Na voz da cal e da alvura

Sobe o sol abrasa a terra
A fecunda as espigas
à sombra das azinheiras
Na dolência da cantigas

Por lonjuras e planuras
Oh solidão, solidão
Eu quero paz no trabalho
p'ra poder ganhar o pão

(poeta popular?)



SE FORES AO ALENTEJO É A 2ª segunta deste video

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A CEIFEIRA


Ceifeira, linda ceifeira,
Loira e trigueira,
Gosto de ti!
Teu rosto, linda flor,
Encantador,
Outro não vi.

Ao ver-te,no mês de Junho,
De foice em punho,
Ceifando o trigo;
Dás alegria aos meus olhos,
Fazendo molhos,
Canto contigo

Com o chapéu desabado,
Rosto suado,
Sorrindo estás;
Mas tantas vezes ceifando,
Andas pensando,
No teu rapaz.

À sombra da oliveira,
Linda ceifeira,
A sesta dormes
Debaixo de um sol ardente
Ceifas contente,
O pão que comes.

«Poeta Caipira» Cano-Sousel
1º prémio na Tarde de Poesia em Stª Amaro 20/01/85
1º prémio nos jogos Florais da FNAT

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

GIESTAS .... DA MINHA SERRA !


Entre giestas da serra
Plantei na minha terra
Raízes do meu amor
Todo o verde que encontrei
Esperança que transformei
Em dor da minha dor

Colhi urze do monte
Bebi água numa fonte
Matei a sede, um desejo
E o rosmaninho singelo
Com o seu perfume tão belo
Me delirava num beijo

Das árvores tive o prazer
Sua sombra receber
Dando-lhe boa guarida
Ali tudo imaginei
Muito carinho encontrei,
Na natureza querida

Sobre esta melancolia
O meu coração dizia
Revive alma sofrida
São trilhos do meu passado
Estradas tenho pisado
Retalhos da minha vida

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ALENTEJO POPULAR


Como é lindo o Alentejo
Alentejo terra amada
Há quem não goste de ti
Eu não te troco por nada

A seguir à madrugada
Nasce o sol a colorir
A serra,que tanto invejo
Sorri toda a planície.
Tudo fica à superfície
Como é lindo o Alentejo

Alentejo, sol escaldante
Onde o homem lavrador
Semeia a terra sagrada,
com pingos do seu suor,
Cantando um hino d'amor.
Alentejo,terra amada

Vê-se o lindo arvoredo
Campinas de loiro trigo
Onde tudo nos sorri,
És o pão de cada dia
Por mera sabedoria,
Há quen não goste de ti

Teus rebanhos a pastar,
Na relva do verde prado,
De popoilas salpicada.
Há canções à tua beira,
Há muito quem não te queira,
Eu não te troco por nada...


(poeta popular ?)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O ENTRUDO DE OUTRORA ............!!



Todas as terriolas têm a sua tradição , aproxima O Carnaval ou seja em tempos que já lá vão era o Entrudo,concerteza que poderia obter mais informação fazendo pesquisa para saber de onde são os primórdios do Carnaval, mas não é isso que está em causa.
Em minha casa pelo Carnaval é que eram feitos os fritos , azevias,filhós e um célebre nógado que já faz alguns anos que não como e assim nos iamos preparando para mais um Entrudo.
Vindos de todas as herdades rurais em redor de Sousel na quarta-feira anterior ao Entrudo ou seja a semana das comadres efectuava-se a célebre " chocalhada" na gíria "esqualhada", mas como a chocalhada deriva de chocalho é lógico.
Todas as ruas da vila era percorridas por esta manifestação de masculinidade com archotes feitos de junco seco , com pelos menos de um dois metros e o chocalhos dos animais, grandes pequenos toda a espécie o que era preciso era fazer barulho .O som era eterrrador,do cheiro do junco queimado a barulho das botas cardadas assim era a forma de festejar a semana das comadres , já não me recordo das frases ditas pelos compadres ás comadres, a ruralidade em toda a sua plenitude.
Todos os domingos de Carnaval , existiam um bailaricos em casa das comadres casadoiras ,autorizadas pelos pais de cada, ao som da concertina , tocavam -se "sais alentejanas" e cantava-se à capela.
As armas usadas eram a cortiça queimada,para mascarrar uns aos outros a farinha e os papelinhos e respectivas bisnagas de água , desde a banana de plastica a pistola de cowboy.
Já Domingo e Terça-Feira de Carnaval apareciam pelas ruas as "brincadeiras" imaginação dos mais foliões,pleno de diversão e acompanhados da respectiva "perua".
A tradiçao de Gentes Simples !
Sousel e suas gentes anos 30, 40, 50 ,60...

Se alguém deste tempo tenha mais memória que eu queira contar ... eu publicarei.
UM grande beijinho à Ana Sofia e à Telma , pelo desenhos que eu usei para ilustrar o Carnaval, estão lindos
Obrigado
Zé Piteira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

FONTE VIVA......!


E porquê!? Esteve sempre presente nas minhas estadias nesta terra que viu metade do meu crescimento , era sagrado nas passeatas com o meu avô José Simplicio, matar a sede nesta fonte , nessa altura a água era potável.
Rara era a rua ou travessa onde não houvesse tios , primos , mais primos por vezes parecia-me que o Cano metade da população eram familiares meus.
Nada tem de especial, não é bela mas é vincadamente , uma pegada da minha existência.
Também bebes da bica do meio ?! Não , não chego lá ,um tom jocoso de alguns mais mal intencionados , entendi e não entendi fiquei-me pelo meio termo.
Eis a razão deste meu blog se chamar Fonte Viva , nada tem com as aguas engarrafadas .

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O MENINO JESUS !


Ainda acreditava no menino Jesus, ou pelo menos queria acreditar, quando da sua descida pela chaminé , como era alentejana e eram muito largas as prendas que ele trouxesse,cabiam perfeitamente.
Só que o menino não foi generoso para as minhas ambições pessoais, queria um triciclo no sapatinho e sempre se esqueceu do meu pedido....!
Eu inocentemente , lá punha no lar junto ao grande madeiro de Natal os meus sapatos que de facto achava que eram pequenos para as prendas que iria receber , o que me deixava confuso .....
Pela manhã levantava-me com uma curiosidade atroz ,corria para a lareira e num misto de alegria e frustração lá tinha no sapatinho uns bombonzinhos de chocolate e um pai natal.
E os sapatinhos eram muito maiores que as prendas que recebia, afinal pensava que de onde vinha o menino Jesus não havia triciclos ...
Convencido, desculpava O menino ,ELE sabia o que eu precisava ....!!
Sempre quis acreditar no Menino.... acreditando !
Como nos dias de hoje ninguém acredita , exige-se e exibe-se com vaidade do poderio do consumismo .
Oh Menino , vai dar uma curva ..... já ninguém acredita em TI , pelo menos enquanto o materialismo estiver na moda .
Como já não tenho lareira alentejana,continuo a pôr os meus sapatos na marquise para que O menino me dê a prenda ..... Ele achará o que mais preciso!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

UMA PINGA BEM FRESQUINHA.........!!!


Ti jaquim, quero uma pinga bem fresquinha ..... já vai , daquilo que conhecia desta personagem ficava sempre fascinado pela sua maneira de ser.
Caminhava directo ao poço e tirava um garrafão de vinho,bem lá do fundo ,"enforcado" pelo gargalo e era só encher uma garrafa ou um jarro de vidro para repartir pelos sequiosos clientes que sentiam no palato a pinga, tinto ou branco, de uma frescura de um poço de 10 metros.
Mais própriamente falo do Meu avô Parrula , que tinha a sua " venda" e a forma que tinha de refrescar as bebidas era o poço no quintal.
O ti Jaquim quando põe os garrafões destápa-los para entrar água , ficam sempre cheios, era piada dos clientes...
Tempos em que o frigorífico ainda dava os primeiros passos, e não traria alguma viabilidade. pelos menos assim se pensava, já que as bebidas eram refrescadas sem gastar energia.
Já os refrigerantes ,pirolitos, gasosas , laranjadas e cervejas eram metidas dentro de um caldeiro puxados por uma roldana à força de braços.
Se o verão no Alentejo é quente.. ! nada melhor que uma bebida bem fresquinha ao natural .
Sousel e as suas gentes anos 50/60 .

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SERÔES ALENTEJANOS


Está frio , tinha chegado da brincadeira,não perguntava onde estavam todos ,eu sabia e era para lá que me dirigia.
ò Mãe então o jantar , na sua voz calma e serena dizia tem paciência meu filho que o jantar está ao lume.
A mesa já estava posta em volta, naquela chaminé alentejana estavam todos olhando uma tejéla de fogo , colocada numa trempe a apurar a refeição.
No lar o madeiro , que alimentava aquela lareira ,pretexto para juntar a família em seu redor, onde não faltavam 3 friorentos gatos .
Retirada a tejéla de fogo , que era de barro e posta no meio da mesa , fervia por mais uns bons minutos ,assim toda a refeição era comida sempre quentinha e com um odor e gosto do mais exigente paladar .
Chegava-se mais ao lume uma chocolateira também de barro para que o famoso cafézínho fosse feito " café ferrado," para quem não sabe levava com uma brasa no interior para baixar todas as borras.
Toda este ritual do acender da lareira ,do cozinhar , da reunião da família de alegria dos gatos que assim que ouviam um crepitar da lenha na sua combustão corriam a reclamar os seus lugares junto ao quentinho.
Serões alentejanos na sua plenitude .

domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

ALENTEJANAS E AMOROSAS !


Em pleno Alentejo, numa tasca entra um jovem alentejano e diz:

Um copinho de aguardenti
Dois copinhos de aguardenti
As meninas desta terra
Põe a gente quenti!

Logo o pai de uma das meninas responde:

Um copinho de licori
Dois copinhos de licori
Levas c'um banco nos cornos
Passa-te ja o calori

Quem vê o trigo a crescer
tâ devagar, o magano,
inda é capaz de dezer
deve ser alentejano!

Na várzea vi o Perneta
cuidado nã se debruce
nã vi a tua caneta
e tamém nã ta truce!!!

Se me tão a chatear
com a vossa lenga-lenga
tão aqui tão a levar
porra! Tal tá a moenga

Os tempos tão tã mudados
faz-se tudo com tractor
já nâ se veêm cajados
nem sequer se faz amor!

A cachopa é vaidosa
anda c' a guadelha ruça
ou dêxa de ser teimosa
ou, então, leva na fuça!


A seguir vou almoçar
mastigo umas carcaças
saio para trabalhar
tá um calor do caraças!


Gostar de trabalhar
ainda nã há manêra
portanto, vou-me dêtar
debaxo da azinhêra!



fonte: alembradura de um cumpadri ma mandou nesta coisa do e emel ó coisa que valha !

terça-feira, 20 de outubro de 2009

CEIFEIRA DO ALENTEJO


Ceifeira,ceifeira!...Quem me dera ser camponês
Ceifar as flores do prado, caminhar p,lo campo fora.
Alcançar-te mais na corrida,viver a vida outra vez
Cantar cantigas de amor,ter a idade que tens agora.

Olhar os teus olhos,ter-te sempre muito perto de mim
Repartir o pão,o trabalho,comer no mesmo prato contigo.
Abraçar-te,olhar as flores.o campo sem ter fim
Dar findo,olhar o sol.juntar o molho ceifando o trigo.

A tua graça, a frescura.os verdes anos que ela tem
Na sombra do seu chapéu ,p`lo sol que já lá vem
Com vaidade no seu valor,ostentando a sua beleza

De trajes garridos, tudo em ti muita graça tem
As papoilas, o campo.o sol ajuda a queimar também
Ali perto,sem saber alguém te quer merecer, ceifeira ....