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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PELAS "SEARAS" DA VIDA .........


Tens a fotografia em tuas mãos. A velha fotografia. À esquerda, o brilho fosco da cal da casa da sua natalidade, pássaros de asas abertas, sol imenso a encher o céu. Ao centro, numa espécie de procissão , as árvores , alvenaria batida pelos ventos, vigas de madeira carcomidas pela humidade, janela rasgada diante do furor do tempo , restos de cal e de um esplendor antigo. À direita, a imensa sombra do sonho , estendendo-se terra adentro — voraz — e com ele o princípio da estrada de todos os regressos, de todas as despedidas.
Olha para o pequeno rectângulo de papel rugoso, agora cheio de riscos, amarelado nas pontas. Quem captou aquela imagem já morreu há muitos anos. A casa ainda existe; é só lembranças corroídas e aruínadas. E aquele que tu foste, dentro da casa, também desaparece aos poucos, devorado pela máquina ferrugenta da memória, perdido nesse passado que se vai tornando difuso, frágil e inútil — como uma teia de aranha.
Sabes muito bem o que o tempo, esse assassino discreto, faz às coisas. Monta o cerco. Expande o deserto. Seca por fora e por dentro. Transforma tudo em pó. Nada lhe resiste. Nada. Nem sequer a imagem de uma casa, que alguém, um dia, com paciência e barro , fixou. Nem sequer esta velha fotografia que se desfaz, aos poucos, nas tuas mãos demasiado gastas.
Segues agora, com o olhar, cada uma das linhas da imagem que se desvanece, os gradientes de um preto e branco cada vez mais submerso na irrealidade das coisas extintas. Percorres, às cegas, as fronteiras de um mapa imaginário: o ar escondido, as paredes onde a cal nunca se demorava, o crepúsculo violento atravessando as salas, as tábuas de madeira que rangiam nas noites de ventania, uma voz saindo da escuridão com a forma do teu nome.
Acendes, uma última vez, a memória. Ficas à espera. Mas a memória calou-se. As vozes não regressam, não há ninguém que te chame neste agora que veio depois de tudo o que se apagou, não há variações dentro da brancura espessa do esquecimento. A névoa engoliu tudo. Já não há azul, já não há verde, já não há oiro, já não há prata.
Ainda assim, a fotografia continua entre os teus dedos. Intacta. Mas olhar para ela tornou-se uma violência. O que foi belo, magoa. O silêncio devora-te. O vazio é uma faca apontada ao coração. Sabes que nunca ninguém virá, nunca mais. Por isso aproximas do lume o rectângulo de papel rugoso. E vês arder tudo aquilo: a casa,o sonho as tuas pegadas a tua infância a tua adolescência e a tua realização pessoal ..... ficam as cinzas no borbulhar das chamas........
(foto Constantina Santos)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A PROMESSA O PEDIDO E A SÚPLICA !


Lembra-me um tempo passado um momento difícil ..... uma promessa , um pedido, uma súplica e talvez por isso eu estarei aqui a escrever hoje .......
Uma promessa... a Senhora da Orada !
Um pedido a Deus !
Uma Súplica ao Médico que acompanhou o desenrolar de toda a minha enfermidade !
Teria nove anos de idade aluno da primária de Escola em Sousel na 3ª classe ... uma bela manhã de Outono , sentado na minha mesa ouvindo os ensinamentos do professor Paixão, senti uma dor forte e aguda no lado direito do abdómen muito intensa quando tentava movimentar-me e também foi acompanhada por náuseas, vómitos e perturbações intestinais e com visão enevoada .....

Fui levado para a casa pelo colega de escola o Eduardo sobrinho do Padre Fernades ...
Os meus pais levaram-me o médico Drº Arquiminio, visto que não era a primeira vez que a dor me apoquentva ,só que desta vez foi bastante mais forte,teria já feito a radiografia, uma papa que tanto me custou e engolir isto em Estremoz no Drº Gargaté , um dia inteiro para fazer a maldida...
Nada acontecia até ao momento desse dia , ainda hoje estou para parceber a razão do porquê desse médico não me enviar mais cedo para o Hospital e tudo seria mais fácil , mas enfim outros tempos em que eram senhores e autores da sua vontade ...
Foi necessária a SÚPLICA da parte de minha mãe para que atingisse o bom senso do estimado médico ... de joelhos se prostou para salvar o filho....
O Bom senso imperou e fui no carro de praça para o hospital de Portalegre para ser operado com muita urgência , mais duas horas e já não pertencia ao mundo dos vivos ..
À GRANDE MÃE que tive que Suplicou, Prometeu e Pediu , ainda por cá ando !!

(Foto Cristina Mestre-Chris)

domingo, 7 de agosto de 2011

FILHO DE PEIXE SABE NADAR ......


Teria uns 7 a 8 anos quando meu pai me levava com ele à sociedade recreativa "OS AZUIS " enquanto os outros viam televisão eu fascinava-me aquelas 3 bolas jogadas com um pau ......
Comecei a perceber que com uma bola era preciso tocar nas outras duas , mas a beleza estava na bola jogada e nas voltas que tinha que dar ..... as mais belas carambolas era ás três tabelas percorriam toda a mesa até acertarem numa terceira ... havia também à tabela seca tinham que ser tiradas a compasso e esquadro ..... !
Cresci a vê-lo jogar e aprendi ....
Entrei no jogo assim como quem não quer a coisa e verifiquei que tinha bastante jeito e apaixonei-me simplesmente ......
O que mais irritava os meus amigos era... Ó ZÉIIIIII VAMOS EMBORA; PORRA ...!!! eu já lá vou ter, a paixão era mais forte e os desafios maiores ......mas nunca os abandonei ...!! E perguntavam-me então ganhaste -claro !! e lá íamos para a farra ....
Perdi algumas vezes ...com o sabor do meu adversário ter vencido um grande campeão ... via-se nos olhos deles o brilho da vitória ... esse dias a inspiração faltava !!!
Quanto mais apaixonado melhor estava as coisas saiam-me bem ,nessa altura era a minha adorada Diamantina , são momentos que guardo , cito !!!
Com vaidade me exibia ... e pensava que era invencível, mas não,porque há sempre " alguém melhor que nós, que me serviu de lição de vida .... aqui tirei ilações de um simples jogo que pode ser o jogo da vida .....
Há melhores ...mas serei sempre melhor que muitos !!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CASA BRANCA (SOUSEL)



Casa Branca é uma freguesia portuguesa do concelho de Sousel, com 100,83 km² de área e 1.392 habitantes (2001). Densidade: 13,8 hab/km².
Localizada numa extensa planície coberta por olivais, no fértil Vale de Freixo, junto à margem direita da Ribeira do Almadafe, a freguesia de Casa Branca dista doze quilómetros da Vila de Sousel. A agricultura mantém-se como principal actividade económica, assente na exploração da vinha, olival (azeite), cortiça, tomate e cereais. A indústria lagareira tem um papel preponderante na economia da freguesia.
Toponímia
Em relação à formação e origem do topónimo «Casa Branca», fala-se que este deriva de uma casa isolada, construída para guardar os utensílios de lavoura de uma quinta aí existente, designada Quinta do Zagalo:
«a primeira [casa] que ainda existia edificada, datava de 1581 construída, sem dúvida, do calcário muito branco que ali existia e que exposto à acção da luz, se petrificava e assim facilmente se faziam blocos, quando ainda brando, para após o seu endurecimento, se construírem os muros, ficando os prédios, mesmo sem cal muito brancos e quem sabe, talvez daí a origem do nome «Casa Branca», que se estendeu a todo o aglomerado de casas.»
Por outro lado, a dita casa era uma referência para os caminhantes da época, especialmente para os padres vindos de Évora que, ao avistarem-na, sabiam estar perto do seu destino: Avis.
História
A documentação existente é pouco clara quanto à origem de Casa Branca. Um documento de Manuel Severim de Faria (1582-1655) refere que os terrenos onde assenta hoje a freguesia de Casa Branca pertenciam ao Conde de Sabugal, D. Duarte de Castelo Branco. Este possuía, entre outras propriedades, uma herdade junto ao Concelho de Avis, ao norte do Lameirão.
Em virtude da pobreza desses terrenos, D. Duarte de Castelo Branco auferia poucos rendimentos da herdade, o que resultou na decadência da mesma. Por conseguinte, resolveu D. Duarte de Castelo Branco dividir esse vasto morgado em glebas para aforamento a particulares. Os foreiros tinham como obrigação «o pagamento de um certo foro anual e os quartos». Conseguiu, assim, o Conde de Sabugal «uma povoação de alguns cem visinhos que lhe rende hoje o dôbro que a herdade lhe rendia (…)», justificando assim a divisão territorial por ele efectuada1. Ao longo do tempo, foram os descendentes alienando todos os terrenos em volta, onde se construíram propriedades urbanas.
A freguesia sediava-se primitivamente em São Brás. Após o grande terramoto de 1755, que também sacrificou esta freguesia, foi extinta a sede (São Brás) que tinha na altura «noventa e seis vinhas dentro da Aldeia e setenta e duas dispersas pelos montes»2. Permaneceu, desses tempos, o nome de uma importante feira, a «Feira de S. Brás» ou «Feira das Cenouras», que acontecia todos os anos no início do mês de Fevereiro e onde se realizavam «importantes transacções em porcos gordos, gados de todas as espécies, azeites, etc.»3.
Na década de 30 do século XX, a vida económica da freguesia de Casa Branca estava marcada pela grande produção de trigo e pela exploração dos vastos montados de azinho e sobro, como também dos olivais.
Notas de Rodapé
1. M. S. Faria citado por Lavaredas, Brados do Alentejo, 1936
2. Lavaredas. Brados do Alentejo, 1932
3. Brados do Alentejo, 1934
(fotos josé varela)

SANTO AMARO (SOUSEL)


Santo Amaro é uma freguesia portuguesa do concelho de Sousel, com 39,51 km² de área e 706 habitantes (2001). Densidade: 17,9 hab/km².
Em meados do século XX, Santo Amaro tinha pouco mais que trezentos habitantes, chegando aos setecentos, em 1991, de acordo com o Recenseamento Geral. Não obstante este razoável índice de crescimento, Santo Amaro mantém-se a freguesia menos povoada do Concelho de Sousel. A agricultura é a principal actividade económica, nomeadamente, a olivicultura e os cereais.
História
Santo Amaro nasceu em terras da Ordem de Avis e foi a última freguesia a incorporar o Concelho de Sousel. Segundo o Padre António Carvalho da Costa, pertencia esta freguesia ao Concelho de Veiros que:
«(…) Tem 200 visinhos que se dividem por duas Paroquias huma é dedicada a Santo Amaro, cuja imagem foy achada no próprio lugar, em que está a Igreja, à qual concorrem muitos devotos Romeiros todo o ano (…)»1
O topónimo da freguesia «Santo Amaro» terá tido provavelmente aqui a sua origem.
No século XVIII, a «Aldeia de Santo Amaro» era considerada uma «freguesia de campo», desprovida de centralidade urbana, dado que os 16 vizinhos que a compunham se encontravam dispersos por montes. A aldeia propriamente dita, ou seja, uma urbanização estruturada à semelhança do que existe hoje, terá começado a surgir apenas na viragem do séc. XVIII para o séc. XIX, como evolução natural da fixação da população rural na aldeia, incentivada pelo aforamento de terras e pela oferta de trabalho nas explorações agrícolas circundantes.
Santo Amaro pertenceu ao extinto Concelho de Veiros até 1855. Nesse ano, foi anexada ao Concelho de Fronteira, o qual integrou até se transferir para o Concelho de Sousel, pelo Decreto-lei n.º 22.009, de 21 de Dezembro de 1932. A então nova freguesia do Concelho de Sousel foi presenteada com um conjunto de melhoramentos, que conferiram à freguesia de Santo Amaro uma nova centralidade. Entre 1934 e 1936, a freguesia de Santo Amaro é dotada de um «distribuidor rural» (responsável pela distribuição da correspondência local), de luz pública (ainda a petróleo), de um novo cemitério, de um edifício escolar e de uma verba para a construção de um posto médico na aldeia.
O jornal estremocense Brados do Alentejo, em 23 de Abril de 1933, referiu-se assim relativamente à inauguração da luz pública em Santo Amaro:
«Hoje, porém, dia 16 de Abril, homens, mulheres e crianças, todos em idêntica confraternização, esperavam com delírio e desejo a hora aprazada do acender de luzes. (…) Até que enfim se viu o primeiro candeeiro aceso, e logo a seguir todos os outros»
Notas de Rodapé
1. (Padre A. C. Costa. Corografia Portuguesa…, 1708)

VILA DE CANO (SOUSEL)



Vila de CANO
A História da nossa Terra


Situada numa aprazível alameda na margem esquerda da ribeira do Alcorrego, Cano é povoação antiquíssima, velha, de fundação a perder-se nas incertezas do tempo. A sua existência é certa em eras para nós remotíssimas , muito antes de os Romanos, senhores de grande poder e sedentos de o aumentar, se espalharem pelo mundo. Se um breve trabalho de raciocínio chegaria para a evidência da antiguidade romana de Cano as construções romanas adentro do seu termo, outros achados corroboram os resultados deste raciocínio; por exemplo a pouca distância do actual aglomerado urbano, no local da Ferroa, foram encontradas moedas, objectos de cerâmica, objectos ornamentais de cobre e descoberto um cemitério romano. (Os cemitérios, que só falam da morte são afinal prova irrefutável de vida).

A chegada dos Romanos à Península Ibérica dá-se no ano 218 a.C. e a sua expulsão no ano 409 d.C.. Cano já existia pelo menos no séc. V. Foi dos dominadores romanos que Cano herdou o seu nome: Cannum, local de passagem de águas abundantes, foi a imagem natural e espontânea que borbulhou no espírito de quem queria baptizar a terra onde se fixava e que lhe oferecia essas características.

No lugar da Represa encontram-se vestígios de remotíssimo povoamento (alicerces, blocos de granito lavrados, restos de uma vetusta barragem vulgarmente denominada Ponte dos Mouros, assim como restos de uma ermida); a invocação desta era a de S. Guilherme, dum tosco S. Guilherme de madeira, incrivelmente medieval. Cano seria das povoações mais ou menos fortificadas que, no séc. XIII, por doações quer da coroa quer dos municípios surgiram na metade Sul do País.

Dentre os velhos povoados deste pequeno recanto da nossa terra era local obrigatório de passagem para todos os povos em migração. Os habitantes de Cano aparecem com pergaminhos de lealdade e valentia, pois é aqui que O. Nuno Álvares Pereira, no ano de 1384, vem buscar o cerne do seu exército para a batalha dos Atoleiros, onde derrotou os Castelhanos.

Na toponímia tudo é português arcaico: basteiros (o mesmo, por certo, que Besteiros) de besteiras ao foro de Calatrava; Pião (ou Peão) de alguma família de "peões"; Mouro, alcunha de povoador medieval; Mingacho (do nome Mem Gacho, Mem Gato) alusão igualmente a repovoa dor. E ainda posteriormente, os topónimos "O. Pedro" e "O. Isabel" que indicam possessões de gente da alta, talvez ligados à Casa Real.

D. Manuel deu-lhe foral em Santarém, a 1 de Novembro de 1512. Todos os forais recebiam uma representação tangível, Foral e Pelourinho são um todo. A Vila de Cano aparece-nos com a dignidade de Vila Cristã já pela nossa história adiante. Ignoramos como teria sido a vida local nos primeiros tempos da nossa nacionalidade.

A Misericórdia foi fundada pelo povo no séc. XVI. Orago: Nossa Senhora da Graça.

Em matéria de monumentos podemos citar a Igreja Matriz, monumento simples mas onde avulta um magnífico altar-mor de mármore, a cores, testemunho da ânsia Renascentista; a Capela de Santo António, com o altar em talha dourada, onde mãos de artista deixaram a marca do séc. XVII, assim como as capelas de S. Sebastião, Santa Catarina, a Igreja da Misericórdia e a Torre do Álamo.

A Vila de Cano era antigamente da comarca e Mestrado de Avis. O concelho de Cano, à data da sua extinção em 23 de Dezembro de 1826, era composto pelas Freguesias de Cano e Casa Branca. Passou a pertencer ao concelho de Sousel até 1855. Extinto este, passou para o concelho de Fronteira e depois novamente para Sousel, que foi novamente extinto em 26 de Setembro de 1895; Cano feito peregrino, passou para o concelho de Estremoz. Restaurado mais uma vez o concelho de Sousel em 13 de Janeiro de 1898, Cano passou a pertencer-lhe definitivamente.

Desde 1 de Novembro de 1512, dia da entrega do seu foral pelas régias mãos do Venturoso, até ao dia triste de 23 de Dezembro de 1826, decorreram 314 anos de vida progressiva, próspera e independente para o concelho de Cano. Na mesma data e pela mesma lei, muitos outros concelhos foram extintos. É esta a única atenuante da injusta e prejudicial situação que, desde então, foi imposta à nobre vetusta e histórica Vila de Cano.

Presentemente, pertence à comarca de Estremoz e Diocese de Évora.

A população canense em 1950 era de 3089 habitantes e segundo os censos de 1991 era de 2012 habitantes.

A Vila de Cano desfruta actualmente duma vida agrícola e comercial de bom nível.

Aqui se lega, resumidamente, parte da nossa História.

(Do Livro "Histórica Vila de Cano" de João Falcato)

domingo, 3 de julho de 2011

IGREJA DE Nª SENHORA DA ORADA


IGREJA DE Nª SENHORA DA ORADA
História e Monumentos
A fundação das terras de Sousel deve-se, muito provavelmente, a D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, no século XIV, aquando da vitória na batalha dos Atoleiros em 1384.
Foi-lhe outorgado foral em 1515, por D. Manuel I.
A toponímia do concelho parece derivar de Ora Sus a Ell, que terá sido uma frase proferida pelo fundador da vila, D. Nuno Álvares Pereira, antes de partir para a batalha e que, por interpretação popular, deu origem a Sousel.
Segundo outras fontes, o topónimo poderá estar relacionado com a posse destas terras por gente nobre da família dos Sousas, ricos proprietários de Entre Douro e Minho, que tinham propriedades em todo o país.
Ao nível do património arquitetónico e monumental, destaca-se a Torre do Álamo, também conhecida por Torre de Camões, que, segundo parece passou aqui uma temporada. Merece, também, referência a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça, do século XVI, que pertencia ao padroado da Ordem de Avis, constituindo uma comenda. Possui três naves com quatro tramos de cinco arcos redondos assentes sobre colunas de ordem toscana, com capitéis simples quadrados. Os arcos laterais estão embutidos nas paredes e fazem parte de alguns enquadramentos aos altares do corpo da igreja. As sacristias são simples, com arcazes de madeira entalhada e ferragens de bronze.
A Igreja da Misericórdia, datada do século XVIII, possui um altar-mor de talha dourada do início do século XVIII, com quatro colunas salomónicas, tabelas e recortes de talha. O interior é todo revestido por um silhar de azulejos azuis e brancos, dividido em painéis, nos quais estão representados vários episódios do Velho Testamento e algumas figuras de profetas.
A Igreja de Nossa Senhora da Orada foi originalmente edificada no século XV, tendo sofrido posteriormente remodelações. Segundo a tradição, esta capela foi edificada no local onde D. Nuno Álvares Pereira orou antes da batalha dos Atoleiros.
De referir também ainda a Igreja do Convento de Santo António, datada de 1605 e modificada posteriormente. Possui uma frontaria simples com um grande janelão, pináculos na cimalha e quatro pequenas pilastras com esferas. A cúpula é uma pirâmide rematada por um cata-vento. O interior é em abóbada de berço com seis altares laterais embutidos em arcais de parede.
(foto JRSIMAS )

sábado, 2 de julho de 2011

TENHO SAUDADES ........


Tenho saudades do Alentejo,

Dos campos verdes cheirando a poejo,

manhã cedo o nascer do sol.

Nas longas de noites de Primavera,

Ouvir ainda; ai quem me dera!

O cantar alegre do rouxinol.

Das tardes calmas amo a doçura,

E do céu azul a formosura,

Longas planícies abrindo em flor.

Oh minha terra abençoada,

Pelo Guadiana foste beijada

Tua beleza é um hino ao amor

Da minha infancia, guardas segredos

Que escondia por entre arvoredos,

Quando sózinha andava a brincar.

E da minha aldeia branquinha,

Lembro também a magia que tinha,

Cantar cantigas á luz do luar.

Trago comigo sempre a imagem

Da pitoresca e bela paisagem,

Jóia tão rara da natureza.

Podes ser pobre, mas és feliz!

De todas as terras do meu país,

És tu Alentejo a linda princesa.

ROSA MIRA
Agradeço à "pintora" este belo quadro !
(Foto JRSIMAS )

quinta-feira, 9 de junho de 2011

FONTE VIVA A SAGA


Não é pretensão minha ou deste blog ou o que lhe quiserem chamar ... ser um veiculo de demonstração de vaidade ou de grande erudito , é e apenas um exercício de memória.
Sinto-me vivo ilustrando poesia ou textos com fotos ou ilustrando fotos com poesia e textos , vivo por me encontro são de espírito ,vivo porque sinto o que escrevo ou o que edito ...
Sou a fonte que jorra a água , mas que tem afluente que aumenta o fluxo .....
Este blog nasce de um isolamento próprio, das noites de serviço que me encontro só e da saudade das minhas raízes e do amor ao Alentejo, dos amigos que não vejo à anos e das vicissitudes da vida .
Em suma escrevo mais para mim que propriamente para os outros ...... sinto necessidade e refugio-me aqui !

quinta-feira, 2 de junho de 2011

JANELAS DO TEMPO !!


Ao longe, a respiração ofegante da planície tolda-lhe o sentir da paisagem
ocultando-lhe, lentamente, todo e qualquer vislumbre do que o rodeia
do que o envolve, do que o compõe...
As nuvens difíceis desabam os seus pensamentos no que resta da sua consciência terrena
e que, sem sequer se saber muito bem como, o colocou ali...
Naquele preciso instante!
Naquela janela de tempo!
Naquela imensa redoma asfixiante...

Soubera ele que a música que o transportou naquele preciso momento,
ninguém a escutaria senão ele
e desenfreadamente agarrar-se-ia a toda a uma vida de conhecimento
que não seria senão pó
e de nada lhe servia a não ser para se arrepender
de o ter tomado como seu
grão a grão...

Aquela planície que o envolve, suada, orienta-lhe o caminho
e no entanto ele não o sabe, nunca soube
nunca o saberá...
Porque o magnetismo da bússola da sua mente secou aos primeiros raios de sol...
Estagnou!
Desertou...
E assim, ficou para sempre só
num clímax esfuziante de ter encontrado todo um sentido para si
no preciso momento em que se perdeu!
E isto tudo, enquanto a velha janela de madeira se encerrava sobre si...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

CASTELOS DE AREIA ..... !!!


Tudo no que realmente se acredita de repente............
começa a desmoronar...como um castelo de areia construído na beira da praia...
arduamente erguido quase que grão a grão...
Porém, cedo ou tarde virá a água salgada do mar e o castelo se desmancha quase que por completo, restando apenas ruínas...
Ou talvez o vento, que vai destruindo o castelo pouco a pouco levando grão por grão de areia, lentamente...dolorosamente...
Digo isso por talvez aquilo que um dia talvez sempre acreditei começa a se desmanchar e começo devagar a desacreditar e deixar de me iludir...
E são coisas simples..detalhes..incluem-se também coisas grandiosas...coisas que fazem falta mas que assim como o vento que leva os grãos de areia embora..
Leva também aquilo que num dia acreditei...

terça-feira, 24 de maio de 2011

QUANDO EU ERA PEQUENINO .......



!!

Quando eu era pequenino e espiava o mundo atraves da imaginação, pela altura da feira em frente ás hortas de Sousel, havia sempre um amigo meu que ia para lá vender algodão-doce. Um dia, resolvi sair … e fiquei a ver o amigo transformar o açucar em nuvens, em mágica, em pedaços de carinho. Quando ficou pronto, mal podia acreditar! Agarrei no algodão e desatei a fugir.
Lá de longe, o amigo gritava: “Oh Zéeee, mas então e o dinheeeeeeiro?” Eu virei.me e respondi: “Nao quero! Nao preciso do dinheiro! Só o algodão-doce já é bom!”
O amigo gargalhou e logo respondeu: “É assim mesmo, não é Zééé ? Só o algodão-doce já é bom!”
Depois… depois eu cresci… e comecei a ter de pagar pelo meu algodão-doce.......

domingo, 22 de maio de 2011

LEMBRANÇAS..... ESQUECIDAS !


Certas músicas e canções geralmente nos remetem a lembranças, momentos, situações, pessoas...
torna-se quase inevítavel....
com pessoas e lugares então, é quando mais acontece...
ouvimos trechos, frases, melodias e lembramos no mesmo instante que em determinado momento estávamos em algum outro lugar com alguém em algum momento bom ou às vezes em momentos nem tão bons assim, mas lembramos, quase sempre lembramos...
e talvez pra minha surpresa em um lugar longe daqui ouvindo certa música com certa letra que inevitavelmente me remeteria a pessoas e a momentos, não me veio absolutamente nada a cabeça, isso mesmo, nada...nenhum momento, nenhuma pessoa, nenhuma situação, nenhuma lembrança...
achei estranho e procurei lembrar de algo..e nada...nada me veio...
vasculhei e percebi que meu pensamento estava completamente vazio, então apenas curti a música, a letra, a melodia.....sem lembrar absolutamente...de nada..

domingo, 15 de maio de 2011

VELHOS,PASSADOS !


Foi aqui que tudo começou a ganhar vida.
Sim nesta velha lareira, outrora cheia de vida e esplendor.
Apesar dos meus meros 57 anos, sou do tempo da boa e antiga educação à portuguesa, dos bons velhos e saudosos costumes e valores.
Sabem porque?
As crianças eram educadas também pelos avós, que lhes transmitiam esses valores.
Muitas foram os serões passados junta a essa lareira, palpitante, a sopa a cozinhar, a avó a ensinar o neto a ler e escrever, a ensinar sábios valores morais, a luz do candeeiro a petróleo. Sim, naquela altura ainda não havia luz eléctrica, por isso não tínhamos televisão, mas isso por si só não é motivo para nos privar de uma boa conversação. Sabem porque, mais tarde a luz veio, mas os bons velhos costumes permaneceram.
É tudo uma questão de hábitos, sim hábitos, ou não será afinal o Homem um animal de hábitos.
Ter-se-á tudo isto perdido "na lixeira da nossa civilização"?
O nosso futuro está nas mãos de quem não sabe mais dar o valor a tudo isto. Interessam-se mais pela televisão, jogos, guerras, sangue e violência.

O homem que sou hoje, parte devo-o a minha saudosa avó.

sábado, 14 de maio de 2011

É JÁ ALI........ !!!



Lembras-te, ? Lembras-te de quando reuníamos a trupe de vizinhos da Aldeia Teles e, cavalgando e empunhando paus de vassoura - cavalo e espada - percorríamos em formação de combate todas a ruas em redor, tentando desmontar o inimigo? E de quando disputávamos os jogos de hóquei, sem patins e tacos de pau , sem nunca sair da vila , sem treinadores ?
E lembras-te das viagens feitas na carcaça do velhos do carros de mulas, de pé sobre os bancos .......
E as travessias oceânicas na ribeira das "mulheres "
E como era gratificante pular de barco em barco, na ribeira , ou no cais imaginado. Que navegações magníficas fazíamos nesses tempos. Viajávamos em paquetes que num só dia iam e vinham ....... redescobríamos as costas de África, o Brasil e a Índia. Era nesse velha Nau, que a puta da imaginação não conhecia limites.
Por vezes, a tripulação amotinava-se e dividia-se deixando a bordo da nau encalhada os mais obstinados, ou musculosos, enquanto outra facção abandonava o navio e recolhia-se em birras e o filme mudava para as aventuras do Buffalo Bill,depressa mudávamos a cena ,desde que todos tivessem armas de pau .....e então era a "Batalha " pumm está "morto" . E os almoços esquecidos – que isto de andar em guerras e aventuras esforçadas tira a fome – garantiam ralhetes à chegada ao aquartelamento. Mas era assim mesmo. Tínhamos que navegar muito, ou nunca seríamos dignos herdeiros das tradições dos que dobraram o Bojador e o Boa Esperança, chegaram à Índia e atravessaram o mar......
Hoje, são iates que lá estão nas Marina. Limpinhos, lustrosos e cheios de mariquices. Desconfio que mesmo quando saem para o mar, não navegam nada.
E tu, Zé, continuas a navegar? Remendaste as tábuas partidas dos teus sentimentos e deixas que a imaginação ainda te emocione? Por onde voas agora no velho avião que sempre sonhaste pilotar? Eu sei que navegas. E quem navega, ou parte à descoberta do mundo e encontra partes de si, ou parte à descoberta de si e encontra o mundo.
Não fundeies o navio ou o avião, Zé , não largues a âncora da imaginação. Navega, navega sempre!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O CONDICIONAL ..... !!


No passado aspiramos chegar ao presente que hoje vivemos, que naquela época víamos como futuro, com determinadas esperanças e sonhos, longe de prever que hoje, esse presente seria assim.
Enquanto jovens, sonhamos fazer parte de um mundo que não é nosso, o mundo dos adultos, na esperança de concretizar certos sonhos, fugir de certas prisões que nos eram impostas pelas "criaturas" que habitam nesse mesmo mundo. Achávamos que quase tudo nos era negado, apenas por negar, sem razão aparente. Criamos determinadas expectativas, que não passaram de uma simples ilusão.
Agora no presente, mais maduros finalmente, mais seremos, senhores de nós próprios, vimos quão diferente é essa realidade, que no passado tão ambiciosamente alvejamos, e assim se perdeu a juventude, e dela não soubemos tirar partido, vive-la. Somos como que imputáveis quanto aos nosso actos e decisões, por isso a responsabilidade pesa-mos.
O futuro construi-se no presente, dia a dia.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

RUMOS DE VIDA ...... !


A chuva tocava-lhe no rosto, ele não se importava, até gostava da sensação. A água fina a cair-lhe na face e escorrer pelo resto do corpo, já encharcado. As roupas que trazia vestidas não eram propriamente impermeáveis e estavam agora ensopadas e pesadas devido à água.

Adorava aquelas ruas,largas , com passeios e com o chão de paralelos já lisos. Delimitada pelas casas antigas de cada lado da rua, um caminho percorrido por inúmeras pessoas a pé, depois carroças e agora carros. Uma calçada intemporal que guardava memórias de tempos idos.

Andou um pouco mais, chegou a um pequeno largo com um chafariz, e sentou-se num banco de madeira, o banco aparentava ter algumas dezenas de anos, não tantas quanto o chão onde este estava. Tentou não pensar na chuva que não cessava o fogo sobre a sua cabeça.

Libertou a mente de tudo o que era banal, apenas ecoavam os versos de uma música antiga, que tal como o banco vivia já há muito tempo, e como a calçada, havia de viver muitos mais.

Tentou pensar no sentido da sua vida e no rumo que queria levar. Tomou uma decisão, levantou-se e partiu.

Nunca mais seria o mesmo.......
(MP)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

INQUIETAÇÕES !!!


Lembro bem da inquetação seguida da porta que se abria no começo do segundo período e só acabava pouco antes do último. Olhos que se viravam pro canto, procurando o fundo, o canto da sala. A supresa das palavras inesperadas, lembro dela também. Lembro de uma certa falta de ar, de uns suspiros compridos, dos olhos fechados que esperavam a atitude que, naquele momento, eu não podia tomar. Lembro de não saber o que fazer quando o vento quente de Janeiro ficou frio, frio a ponto de me fazer tremer. Eu lembro disso e de tudo que veio depois. Lembro do cabelo brilhando no ar do verão. Lembro das mãos sempre quentes no inverno. Até do castanho congelado dos olhos que me diziam coisas nas quais não acreditava, ou pelo menos não queria acreditar, eu lembro. Lembro como se fosse ontem. Lembro de quando a última coisa que queria era lembrar e as benditas lembranças estavam em todo o lugar: na rua que atravessava, na porta da sala, na piada batida, no frio do pés, na chuva fina, nos livros que não li. Lembro de quando lembrar tinha sempre aquela tristeza doída que mora em toda a história sem fim.

Lembranças podem até ser parecidas, mas nunca é igual a maneira com que elas foram sentidas. Por isso que eu não esqueço.

Enviado pelo meu amigo Manuel,vá se lá saber porquê ..... !?'

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"PONTES" PARA ABRIL


Moral e Bons Costumes – o biquini
Num país com um regime político que obrigava as professoras primárias a pedir autorização ao governo para casar, não é de espantar que, em Portugal, nos tempos da ditadura que terminou com a Revolução de 25 de Abril, a indumentária das pessoas fosse regulamentada, não sendo permitidos certos modelos considerados “ousados”. Tudo em nome da moral e dos bons costumes. Ou, como justificava um Decreto-Lei de 1941, relativo aos modelos de fato de banho, para “salvaguarda daquele mínimo de condições de decência que as concepções morais e mesmo estéticas dos povos civilizados ainda, felizmente, não dispensam”.
Afixadas em editais pelas capitanias, as regras para os modelos de fato de banho permitidos eram as seguintes:
Para senhora, “fato inteiro com saia por cima, com decote sem descobrir os seios, com costas decotadas sem prejuízo do corte das cavas ser cingido nas axilas”.
Para homem, “camisola e calção com corte inteiro, justo à perna e reforço interno da parte da frente, e justo à cintura cobrindo o ventre”.
As regras que impunham “decência” no vestuário continuaram legalmente em vigor por muitos anos. Mas, com o correr dos tempos, na prática foram cada vez mais sendo postas em causa e não aplicadas. Para isso muito contribuiu o turismo que, na década de sessenta, começou a procurar o nosso país como local de veraneio. Especialmente o Algarve onde, todos os anos e cada vez mais, apareciam ingleses, franceses, holandeses e alguns alemães... com indumentárias muito ousadas para os nossos padrões e costumes.
Era a época da mini-saia e do biquini para as raparigas, das longas e despenteadas cabeleiras para os rapazes. E se muito boa gente, neste nosso isolado Portugal, se escandalizava com a “pouca-vergonha” das vestimentas dos estrangeiros, muitos, especialmente a juventude, adoptavam alegremente as novas modas, com grande escândalo das almas conservadoras.


Licença de Isqueiro
Sabiam que, no Portugal Salazarista (especificamente entre 1937 e 1970), para ter um isqueiro era preciso ter licença de uso?
Pois era! E, pelo menos em Lisboa, actuavam diversos “caçadores de multas” a tentar apanhar todos aqueles que acendiam o isqueirozito e não eram portadores da respectiva licença.
O decreto que regulamentava tal medida era o Decreto-lei n.º 28 219 de Novembro de 1937. Foi abolido em Maio de 1970.
Quanto ao regime político que criou leis tão extraordinárias como a licença de isqueiro, foi abolido a 25 de Abril de 1974.


Moral e Bons Costumes – A “postura”
Portugal, nos tempos da ditadura, a que a Revolução de Abril pôs termo, não era só um país pobre e repressivo. Era também um país fechado, triste, bafiento, com uma moral castradora, que algumas leis e regulamentos, de um ridículo atroz, procuravam enquadrar.
Famosa ficou a postura da Câmara Municipal de Lisboa, em vigor desde 1953. Dirigida aos polícias e aos guardas-florestais, especificava os crimes e multas em que incorriam todas aquelas pessoas que procuravam “frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes.”
A seguir, especificava os actos e respectivas multas a aplicar pelos polícias e guardas-florestais:

1º - Mão na mão (2$50);
2º - Mão naquilo (15$00);
3º - Aquilo na mão (30$00);
4º - Aquilo naquilo (50$00);
5º - Aquilo atrás daquilo (100$00);
§ único - Com a língua naquilo (150$00 de multa, preso e fotografado).

( texto enviado por Email)

segunda-feira, 28 de março de 2011

O SUPOSTO CAUTELEIRO !!


Foram algumas semanas das férias de verão de uma ano qualquer... desatei a pensar o que poderia a fazer .... ou o que meu pai me alertava , rompia-me a cabeça para que eu não entrasse numa rotina de assim como ele dizia de " malandrão! deitar ás tantas a dormir até ás tantas.... era o mais mexia com o sistema nervoso dele .
Isto ter o estatuto de estudante não importava nada ... o que ele queria é que eu me mexesse , sabendo de antemão que o cigarritos já faziam parte do meu dia a dia ... vaidade , mas era assim naquela época .
Como o menino era " fraquito" de figura e muito "biqueiro" na comida que era para a minha mãe uma dor de cabeça .... a não ser o banal (agora) bife com batatas fritas é que a coisa corria bem ou então as favas com carne de porco .
Ora bem.. surge então um suposto cauteleiro, um bilhete naquela tempo era dividido por vigésimo e mesmo assim era caro para a maioria das pessoas a solução era dividir por entradas de 5$oo escudo que dava a módica quantia de 25.000$00 se não estou enganado !
Lá percorria eu as ruas da vila ... mas não tinha pergão.... não dizia é a "grande " ia a quem sabia que jogava era mais fácil... e assim vendia as " entradas".
Isto de manhã, á tarde era "aviar copos na taberna do "PARRULA " como era conhecida .
Para que rotina não se instalasse ... o lanche diário era da "trupe " de amigos a ementa era feita semanalmente e o preço 2$5o a cada um .
Era esta a geração que esperava a sua sorte .......com os tais 36 meses de tropa e só depois se de lá viesse poderia enveredar por uma carreira profissional a dar continuidade á raça humana !
(MP)