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sábado, 5 de novembro de 2011

UM BRINDE.......


Um brinde...
"Por mais raro que seja, ou mais antigo
Só um vinho é deveras excelente:
Aquele que tu bebes calmamente
Com o teu mais velho e silencioso amigo"

Mário Quintana

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SOUSEL !!


A luz que te ilumina,
Terra da cor de quem te olha!
A paz que se advinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar! …

Sousel, 20 de Outubro de 1974

Miguel Torga, Antologia Poética – Diário XII, Circulo de Leitores, 2001

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A PEDRA !!!!!


A PEDRA

O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo. Drummond a poetizou.
Já, David matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.

Cada um de nós pode fazer a diferença!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SEM QUE ANTES CESSE......


Antes que a vida cesse ...
Eu peço
Nesse chato vazio
Que voltem
Minha velha infância
Minha criança esperança.

Que algo se faça
Mesmo que aqui, ali
Surjam defeitos.

Eu peço
Que minha vida
Não deixe
De ser, de sentir, de viver
Não deixe morrer.

Porque aqui estou
Tenho que ser
E fazer, da melhor,
Da mais bonita forma.

Sem que antes cesse
Tudo que um dia
Eu esperei
Para ver enfim.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

SILENCIO DA ALMA !


Neste silêncio
Cheio de mim
Uma alma surda e muda
Quase cega sem fim !

Aos poucos morro.
Só e débil.
Onde está a vida que vivi?
A luz que via,
O calor que sentia,
O riso que tinha?...
Não sei...
Tu sabes?
Ajuda-me!
Não ralhes!
Não sei onde procurar..

Daqui já nem vejo sol e lua
Tão menos as estrelas e o mar..
Dá-me a tua mão!
Só tu me podes valer!
.. mais ninguém...

(MP)

sábado, 23 de abril de 2011

DIVAGARES... ..LENTAMENTE !!!



Não me basta o telemóvel..
senão também o meu´computa,
ando engasgado e imóvel
Falo e ninguém me escuta !

Já que ninguém me escuta ,
Aqui "desembucho" as minhas dores
Ainda sou um recruta ,
Nesta "coisa" dos amores ....

Eu sou uma letra morta,
Da vida ,fui um volátil
Corro, bato ás "portas"
Mas elas nunca se abrem .

Que maldito feitio o meu
Dedicar-me a um só ser
Faria melhor ser "bandalho"
Do que sonhar em crer ...

Firme,para sentido,
Para a direita, volver
Ás vezes prefiro não ter querido,
Está minha razão de ser

Da vida fiz ,teatro
Comédias acção e dramas,
Já representei dois dos três actos
Deste actor ainda com "chama" !
(MP)

domingo, 13 de março de 2011

AS FLORES DA MINHA PAIXÃO .............!!!




PAPOILA

não
não desdenho a rosa
vermelha paixão acesa
só quero olhar a papoila
beleza vibrante e frágil
espalhando a rubra cor
na linha verde do campo.

não
não desdenho a rosa
mas paixão é a papoila
que arde bela em tempo escasso
dá-se viva à mão que a colhe
partilha o cetim das pétalas
e na mão amada morre
breve.

Agradeço ao meu amigo Denis estes versos seguintes :
PAPOILA DO CAMPO.
Papoila que'te ergues ágil
Entre as searas de verão;
Poucas pétalas; és tão frágil,
Basta um sopro; e és botão. dca
E A ELEGANTE ROSA?..
A rosa é muito linda;
Sobre mesas e quintais;
Seria mais bela ainda,
Se as pétalas durassem mais.. dca

E O CRAVO PRAZENTEIRO
Iremos agora ao cravo,
De aparencia juvenil;
Que marcou o 'desagravo'
Do Vinte Cinco de Abril..dca

sábado, 26 de fevereiro de 2011

VOZ SEM TEMPO !!



(FABULOUS FOUR)

"Saber que os amigos não necessitam de tempo,
saber que são os mesmos
e todavia distantes
a aqueles que o foram
quando os anos nossos
nos brindaram sua essência
do "companheiro eterno".

Porém voltam, persistem
e são tempo e castigo:
a idade não diferencia
a visão do amigo.
Minha idade, tua idade, a sua
não são marcas brutais
que separam os meus

O tempo
-novamente me enfrento com o tempo-
é uma forma doce
da constante lembrança.

Saber que os amigos
são de minha voz o tempo.
Saber que eles comigo
Ajudam-me ao eterno.

E então, cada dia
se volta ao princípio
de saber que um amigo
é uma voz sem tempo."

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

METADE !!!



Metade Que a força do medo que eu tenho,...

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
...
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também

Ferreira Gullar

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O MEU ALENTEJO


O meu Alentejo...


Olho para trás, entre uma lágrima fresca
Que me embacia a visão mas não a memória.
Olho para trás, entre a brisa doce e quente do Verão
Um Sol que me seca o suor e me para no tempo

Olho para trás enquanto vou respirando este odor da Esteva
A visão dos Cardos que desposa os montes e cerros
São o livro que levo comigo e onde desenho a minha existência
A Ermida árida de um coração triste e ressequído.


Olho para trás e alimento já a saudade do futuro
Neste Alentejo da minha alma que vai ficando
Como se fosse uma voz que chora cantando
Um fado arrastado e sentido no peito
De quem espreita a vida empoleirado num muro.


Olho para trás e relembro a ceifeira do Trigo
Que adorna os planícies num manto cor de mel
Que marca a memória de quem vai partindo
E pinta a visão de um céu pejado de estrelas.


Se tu já não consegues ser, meu Alentejo,
Então também eu já não sou.
Se já não te conseguem ver, Terra dos meus sonhos,
Então prefiro cegar no momento em que olho para trás
Para jamais esquecer a Urze e as Oliveiras.


Olho para trás e espreito o teu alpendre
Vejo que te despedes para abalar, uma vez mais.
Levas a foto do Casario alvo e o aroma do Ensopado
No lenço que esvoaça livre por entre um povo honrado.
(Foto jrsimas)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CORAÇÃO TEIMOSO !


O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa
AS palavras que nunca te direi, se .........!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

LUAR DE AGOSTO !!


Nas belas noites enluaradas de Agosto
Toda a terra prateada com o seu esplendor
Ouvem-se linda musas, em trovas de amor
Lindos sorrisos seduzindo teu rosto

Agosto, da suave brisa perfumada
Caindo sobre vastos roseirais, em flor
No silêncio da noite, ecos de trovoada
E ao deslizar , de uma lágrima orvalhada

Depois de termos sonhos em realidade
Luzente .espelho da lua,onde me vejo
Ao fazer uma prece, sinto tal desejo
Que a noite linda,surge a claridade

E no calar da noite,beijo o teu rosto
À luz dum pirilampo, sinto o teu calor
Murmuram meus lábios,ao chamar-se amor
Nas belas noites,enluaradas de Agosto

( De um poeta popular ..quem saiba que diga !!)
Estamos no Outono triste e pardacento ..dou vos uma noite de brilho e talento de quem
fez estes versos!!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CARTAS DE AMOR !


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas)
Fernando Pessoa

sábado, 9 de outubro de 2010

O RESTO DA HISTÒRIA TU CONHECES......... !


Para o meu amigo Zé
Lembras-te? Já lá vão três décadas e mais uns pósinhos...

Era uma vez um miúdo de vinte anos ingénuos que acreditava nos “amanhãs que cantam” e na “superioridade moral” dos homens que diziam estar a lutar pela construção, na terra, desses mesmos amanhãs cantantes....
Afinal... o resto da história tu conheces...
Contigo desabafei muitas vezes o meu espanto dorido - e as minhas lágrimas - ao ir descobrindo, da pior maneira, quanto me enganara, na minha ingenuidade tola. Os “amanhãs que cantam” ninguém os chegou a ouvir, não passavam de uma fórmula com data de validade já ultrapassada. E quanto à tal “superioridade moral”, deixem-me rir, dependia das pessoas e das situações. Havia de tudo: umas quantas pessoas que hoje recordo com admiração e gratidão, muita gente amorfa e deixa-andar que estava naquela onda porque, era a onda da moda neste nosso aparvalhado país e... pois, havia também uma boa meia-dúzia de “gente com olhinhos” que sacaneava os outros pelas costas e, cheios de falinhas mansas e/ou empolados discursos pseudo-revolucionários, vendia a sua “superioridade moral” por um prato de lentilhas, quando não por um mísero pires ou colher de lentilhas.

Zé, duvido que, lá no teu isolamento de boa fé, chegues a ler isto. Talvez melhor assim. Recorda antes os momentos alegres de convívio, o tal Natal em que fomos á missa do galo (lembras-te?), as conversas por vezes divertidas que tinhamos até ás tantas .
Gostei muito de te rever hoje.
Para ti, meu amigo, um poema que está de acordo com a tua maneira de ser.


Porque os outros se mascaram mas TU não

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

REFLEXOS DO TEMPO !





Há ventos
Que nos trazem pessoas
No reflexo do tempo.
Mesmo a distância,
Perpetuam-se no pensamento.
......São fotografias
Das quais a saudade
Terá sempre os negativos
Revelados na memória.
Há pessoas
Que nos trazem ventos
No reverso do tempo
Preso à substância,
Revelando sentimentos.
São maravilhas
Das quais a sinceridade
Terá sempre os negativos
Revelados na história

sábado, 24 de julho de 2010

PERGUNTO ? ENFIM NÃO SEI !.....


Tu eras simplesmente uma mulher
Quando pela primeira vez te conheci
Hoje não conheço outra,sequer
Na vida, nunca olhei mulher assim.

Porque és tu tão diferente para mim?
Que sinto eu para ficar assim?
Quem me olha?Quem me vê? Tanta gente!
Ninguém repara como tu,para mim.

Tu olhas-te,olhei,reparaste,reparei
Não falámos,não falei,sei...!
Não me abandonaste,ficarei !...

Eu, que esta mulher,nem existia
Passou a ser a minha hora, meu guia
Até quando?Pergunto:enfim nem sei ...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MEMÓRIAS DO PASSADO...TRADIÇÕES DO PRESENTE


A vida é o dia de hoje,

A vida é ai que mal soa,

A vida é sombra que foge,

A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve

Que se desfaz como a neve

E como o fumo se esvai;

A vida dura um momento,

Mais leve que o pensamento,

A vida leva-a o vento,

A vida é folha que cai!

domingo, 14 de março de 2010

O TAMANHO DOS HOMENS.....!!!


Quem tem tamanho de mais
Tem uma triste ventura
Na morte somos iguais;
De que serve ter altura?

Não morras em terra alheia,
Que vais mal acompanhado;
Se morreres na tua aldeia,
O funeral é dobrado.

Não espero nenhuma herança
Nem me importo que não herde ;
O que na vida se alcança
É nesta vida que se perde

Neste mundo de ninguém,
Uma coisa está errada;
É haver quem muito tem
E haver quem não tem nada

Um malandro me chamou:
-Que grande malandro aquele!
Como ele é que eu não sou
Pensa que sou como ele.

Tenho pouca inteligência,
Ser esperto não consigo;
Talvêz por incompetência
Diga as verdades que digo.

Se a pobreza é uma afronta,
Se andares com ela não queres:
Para Deus o que mais conta
São as acções que fizeres.

Se uma criatura é boa ,
Boa,mesmo de verdade;
Quase sempre há uma pessoa
Que faz pouco da bondade.

Eu não sei se vejo bem
Nem bem sei se vejo mal;
Não vendo bem vejo quem
Que valer o que não vale.

Chama-se um ladrão vadio
A quem rouba dez tostões,
Diz-se que fez um desvio
A que rouba dez milhões

Aos bem-vindos do futuro
Aqui deixo o meu passado
Um passado honesto e puro
Que não foi aproveitado

DE: João Rebocho Velez (poeta Canense)
foto:Jrsimas