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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
UM SIMPLES BANCO !!!
É só um simples banco, lá no jardim da minha terra, mas sem saber porquê sempre me transmitiu a calma necessária para raciocinar convenientemente, e passado tantos anos, tantos sentimentos, cá estou eu outra vez, sentado nele, admirando as arvores sombrias nesta noite quente. Há quem diga que este jardim e desconfortável , eu pessoalmente nele me sinto em casa, nele tudo tem solução, tudo faz sentido, desde os peixes aos pardais a dormir, as raízes das árvores.... a deformar o chão, até a esplanada vazia,suja, tudo é magico, tudo é lindo.
Hoje não tenho grandes pensamentos, nem grandes perturbações mentais para desabafar, vim matar saudades da Lua, falar com esta minha amiga de sempre, ouvir os problemas dela, perguntar lhe como ela está, se está tudo bem, já que ela tantas vezes me ouviu.
Curioso quando penso nestas perguntas, uma brisa amena e suave atinge o meu rosto, e ai nesse momento eu sinto, um abraço quente e reconfortante e um suave beijo na cara ao qual respondo...
"Ainda bem que posso contar contigo"
É este o banco na foto !!
terça-feira, 23 de agosto de 2011
RETALHOS !
-Onde vais Zeii?
-Vou tomar o pequeno-almoço ao café !
-O quê ?
-Uma torrada e um galão ou um sumo !
-Qual carapuça !
-Bebe mas é um copo. porra !
-Já
-Pois, isso é que faz bem, dá-te força e trabalhas melhor, estás fraquinho é do leite e das torradas ...
Quem poderia dizer não a tão convincente convite e eu que queria ser "forte"
- Basta , dizia !-Cheio respondiam !
Porém os velhos amigos sabiam que não possuía o "arcaboiço " deles , velhas raposas batidos na arte do bom copo e do bom garfo , mágico aquele garrafão de cinco litros sempre cheio .......em contraste com os copos sempre vazios .... lema " aqui trabalha-se, come-se e bebe-se " uma força de viver de onde eu "suguei " parte da minha ....
Algumas vezes evitava voltar àquele cantinho da fábrica, saberia de antemão que o copo "bastava cheio " e se o despejasse corria o risco de ficar outra vez cheio .... e o melhor seria fechar o escritório, porque os números ficariam todos elevados ao quadrado ...!!!
Se aconteceu ? claro !!!
Na rota do azeite e dos óleos vivi dos mais belos "retalhos que guardo ....
A eles ....
Manuel Ganhão
António Cardoso
Carlos Dordio
José Padanha
Mestre José Dimas
E mais alguns .... BEM HAJAM !!!
terça-feira, 21 de junho de 2011
SER ALENTEJANO "
SER ALENTEJANO
Ser alentejano,é ter
O sol no olhar
É ver sem nada ver
...Querer e sempre poder
Matar saudade só de pensar
Ser alentejano,é olhar
De longe e bem perto ver
Com a saudade a acenar
Suas tradições respeitar
Sem ele não poder viver
Ser alentejano,é sentir
O cheiro da nossa terra
Ao longe poder ouvir
Mesmo sem nunca conseguir
Ver o que se passa dentro dela
Ser alentejano,é ter no peito
Grande orgulho de o ser
Amar de qualquer jeito
Sem nunca pôr defeito
Á provincia que nos viu nascer...
M. Medeiros
Uma oferta de Sofia Borges !!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
PALAVRAS LEVA-AS O VENTO ..... SERÁ !??

Falámos de palavras. Falamos com palavras. E sentimos a força das palavras. Palavras, leva-as o vento, diz o povo. Será? Pensemos um pouco nas palavras que lemos ou nos disseram e nunca esquecemos. Aquelas que nos atravessam a mente de quando em quando, provocando uma crispação de dor ou um sorriso.
As vozes dos meus pais e algumas palavras que nunca esqueci. Os livros da escola e tantas palavras que decorei de tal forma que ainda hoje as sei : “Batem leve, levemente…”. As primeiras palavras de amor. Todas as palavras de amor ou paixão que significaram algo. Algumas de desamor que particularmente me feriram. As primeiras palavras dos meus filhos . As palavras dos livros mais lidos, dos poemas mais amados. Das canções que me marcaram. De…
Tantas palavras que a nossa mente retém e que voltam à memória sem sabermos porquê! Será que o vento as levou? Não. Ficaram connosco, indelevelmente marcadas em nós. E provocam emoções diversas. Essa é a força das palavras. De uma forma ou de outra, estimular o nosso pensamento, os nossos sentimentos. E provocar uma qualquer reacção.
E, porque hoje me deu para escrever novamente sobre as palavras, talvez seja altura de deixar falar o silêncio e pensar um pouco em tudo isto que escrevi ...........
(MP)
quarta-feira, 16 de março de 2011
PASSEIO AO CAMPO

Certa manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio no campo e eu aceitei
com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio
perguntou-me:
- Além do cantar dos pássaros, tu está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo um barulho de carroça.
- Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia ...
Perguntei ao meu pai:
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia,
por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que
faz.
Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais,
inoportuna, interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de
ouvir a voz do meu pai dizendo: Quanto mais vazia a carroça, mais barulho
ela faz...
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
S.MIGUEL




Mudam-se os tempos muda-se as vontades ....
Também mudaram os dias desta grande feira que foi a Feira de S.Miguel em Sousel ,a maior feira de todo Alentejo, principalmente em gados, e que se realizava em 29 e 30 de Setembro, anualmente .
Era grande o movimento... incalculável as transacções de gados neste dia, transportados por caminho de ferro, chegavam a Sousel das Beiras, Trás-os-Montes e do Alentejo mais profundo....
Era o momento de acertar contas ... patrões e empregados , maiorais que nestes dias recebiam o seus salários, que durante o anos recebiam apenas uma parte todos os meses.o restante era agora, a percentagem que recebiam vendendo os seus gados que apascentavam de conjunto com os dos patrões .
Era grande a alegria ... o convívio, sempre se comprava um par de botas e um guarda-chuva para passar o Inverno e pouco mais de cem escudos chegava ...
Ainda vi resquícios desse tempo ,as memórias de quem por lá passou e viram nada voltará a ser como dantes.... Tanto gado, cavalar, manadas de éguas com crias, gado bovino aos milhares, varas de porcos rebanhos de ovelhas ....tanto gado numa feira .
As barracas de toda a espécie e feitio ... os carrosseis as pistas de carros o poço da morte e os circos ...houve uma pista de aviões que recordo com saudade ... aquela que levei a Diamantina a dar uma volta ... voei até ao infinito !!!
S. Miguel era um fascínio, principalmente para jovens .
Outras gentes
Uma época
Um grito ensurdecedor de uma grande Feira :
-ÁGUA FRESCA REGALADA,POR 2 TOSTÕES A BARRIGADA !
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
MEMÓRIAS DE UM POVO

Estava só ... aquele dia iguais a tantos outros,sentado numa esplanada do café sobranceiro ao jardim municipal, bebia um café depois de almoço,fumei um cigarro à socapa, porque ainda não tinha fumado diante do meu pai..haveria pois quem me olhasse com sentido de reprovação.
Status ou irreverência.... !?
Vigiados quando estávamos em grupo porque poderíamos ter ideais progressistas ,já éramos jovens com alguns conhecimentos, será que era por falar-mos de Zeca não sei se o "informador saberia quem era " ou talvez pelos diálogos do dia que houve as eleições para a Assembleia Nacional , éramos menores ,mas já sabíamos quem ganharia ..pelo comentários dos mais velhos !
Mas nesse dia aproveitei para ouvir .... algumas passagens de 2ª Guerra Mundial e as repercussões em Sousel , extractos de memória desses comentários .
Alguém dizia - Nessa época ,com certos companheiros ,em cafés ou tabernas , passava-se os dias , lendo os jornais (quem sabia ler)que se devoravam de ponta a ponta sobre a guerra de Hitler_era um crime .era o fim de tudo isto , assim se julgava nesse tempo.
Grande parte do nosso Povo aglomerava-se em bichas, com cupões de cadernetas ,para angariar meio-quilo de pão e pequenas parcelas de arroz ,de açúcar ou de outras mercearias.
A guerra tocava-nos a todos que mais não fosse pelo dever moral de compaixão com milhares de pessoas que foram transportadas para campos de concentração e ali eram tratados sem o mínimo de dignidade,os jornais "Diário de Noticias" e "Século " assim informavam.
Lugares de gasolina fecharam.os transportes colectivos ,muitos deixaram de circular,e s camiões não eram todos os que circulavam , porque os seu proprietários não lhes podiam fazer ampliação para geradores a carvão .... gasolina e gasóleo desapareceram.
Estaríamos ameaçados pela guerra e por uma ameaça de crise económica a ponto de nos fazer sofrimento; mas longe dos horrores e das brutalidades que os jornais nos mostraram dessa pobre gente dominada pela força das armas e no fim condenada à pena ultima
O povo aglomerava-se em volta das telefonias e ouvia noticias da guerra, que locutores como Fernando Pessa transmitia .....
Foto: Sousel-MALUDA
segunda-feira, 26 de julho de 2010
UM CÉLEBRE CARRO !
Será o destino de quem já não é útil à sociedade!? Abandonado para um canto qualquer ou poluir uma paisagem dos olivais do Alentejo da nossa azeitona galega que dá azeite do melhor ou então um artista qualquer decidiu criar uma nova arte !
Que estrada ... esse troço continua a estar uma miséria , são dois o três quilómetros , meus senhores façam qualquer coisa, que imagem se dá para atrair turismo para a pousada de S. Miguel,talvez seja tarde !??
Rumo ás curvas daquela serra ,sempre com a maior atenção porque uma distracção lá se vai a minha segurança.
Como estava mais interessado em olhar esta mancha de olival , passa-me defronte dos olhos esse triste "fado" associei logo ao carro onde tirei esta foto,aos tempos do antigo matadouro , onde se matava o gado com poucas ou nenhumas condições .
Houve alguém com mais olho do que eu que levantou a "lebre" O Blog Souselalentejo.
Eu apenas dou seguimento a esta irresponsabilidade.
´
terça-feira, 25 de maio de 2010
SAI UMA AÇORDA À SOUSEL !!


Açorda à Alentejana (Sousel)
Ingredientes: 1 bom molho de coentros (ou um molho pequeno de poejos ou uma mistura das duas ervas), 2 a 4 dentes de alho, 1 colher de sopa bem cheia de sal grosso, 4 colheres de sopa de azeite, 1/5 litro de água a ferver, 400 gramas de pão caseiro (duro), 4 ovos.
Preparação: Pisam-se num almofariz, reduzindo-os a papa, os coentros (ou os poejos) com os dentes de alho, a que se retirou o grelo, e o sal grosso. Deita-se esta papa na terrina ou numa tigela. Rega-se com azeite e escalda-se com água a ferver, onde previamente se escalfaram os ovos (de onde se retiraram). Mexe-se a açorda com uma fatia de pão grande, com que se prova a sopa. Introduz-se então no caldo do pão, que foi ou não cortado em fatias ou em cubos, ou partido à mão, conforme o gosto. Os ovos são colocados no prato ou sobre as sopas na terrina.
Sugestão:Nada melhor para a ressaca de uma bebedeira, acho! eu dava-me bem!
sábado, 8 de maio de 2010
SEMENTEIRAS !

Sempre a mesma tremideira,desta ansiedade crónica ,senti.me como estivesse a arar o meu próprio destino,deitando as sementes de uma vida.
Não era a minha ferramenta, mas comecei pelo "principio" lavrando uma terra virgem que poderia dar uma boa colheita.
Bem longe estava do meu couto, a fazia a primeiras experiências neste velho e ferrugento "utensílio"que serviria de estágio para o que se seguia.
Quando cheguei, não tinha o capital suficiente para encetar uma boa sementeira, esperava com esperança a minha vez,que iria surgindo , passo a passo , momento a momento , desde um lagar , até à distribuição de refrigerantes.
Mas ainda não estava nos meus terrenos onde para o qual me ensinaram a teoria , surge a oportunidade de lavrar os meus receios e as minhas esperanças e começar enterrar a semente para usufruir no futuro a colheita que merecia, se é que a merecia , fiz por isso.
Dependendo das incertezas muito dado a estas coisas da " Agricultura" germinaram graciosas presenteando o produtor e suscitando interesses diversos.
Mais que não fiz senão continuar a proceder da mesma forma , deixando de escutar os ancestrais "agricultores" investindo numa outra área que desconhecia que por influencias iriam danificar ou meus coutos.
Quando me fui apercebendo nem sementes nem terra, estava colhendo a piores das ultimas colheitas,perdi até as papoilas dessas planices douradas.
Quando dei por mim estava na selva do cimento , sem campos virgens para semear voltando-me para outras vertentes.
Motivado pelo sonho de ser o mesmo "agricultor" percorri trilhos e caminhos adversos,delegando a quem me parecia de confiança que soube fazer a " agricultura intensiva".......
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