domingo, 13 de março de 2011

UM AMOR MUITO DESEJADO !!!



..te vejo ali, parada, me olhando só... não há palavras, nem medos, nem lágrimas... há apenas um olhar profundo e um toque suave como se fosse o toque mais importante deste mundo... te olho e te fixo a alma... te possuo mesmo antes de te tocar, de te amar, até mesmo antes de te olhar... é tudo muito mais forte do que o meu querer... olhar-te bem dentro mesmo sem te ver... sentir-te só de te desejar, ali, parada numa pose linda, somente a me olhar... fixo tua boca e te sorvo completa... te abraço sem te abraçar... te afago sem afagar... te penetro sem te penetrar... está tudo ali, em ti, a meu lado... basta te desejar... e teus olhos já me possuiram... e teus olhos já me abraçaram... e teus olhos já me sentiram... ali, sem questionar, te estendo a mão... vejo teu corpo a arfar.... e sentes minhas mãos te tocar... e teu corpo em minha alma se entregar... tudo tão simples: apenas o desejo de te desejar..."
Também eu já padeci,
desse “mágico” cansaço!
O coração, deseja,
o pensamento, sufoca,
a dúvida, atormenta,
a mente, estala,
o corpo, estremece,
e a alma, grita!

Para "ti", que "foste hoje, o amanhecer do meu dia!"
Mereces!!!


AS FLORES DA MINHA PAIXÃO .............!!!




PAPOILA

não
não desdenho a rosa
vermelha paixão acesa
só quero olhar a papoila
beleza vibrante e frágil
espalhando a rubra cor
na linha verde do campo.

não
não desdenho a rosa
mas paixão é a papoila
que arde bela em tempo escasso
dá-se viva à mão que a colhe
partilha o cetim das pétalas
e na mão amada morre
breve.

Agradeço ao meu amigo Denis estes versos seguintes :
PAPOILA DO CAMPO.
Papoila que'te ergues ágil
Entre as searas de verão;
Poucas pétalas; és tão frágil,
Basta um sopro; e és botão. dca
E A ELEGANTE ROSA?..
A rosa é muito linda;
Sobre mesas e quintais;
Seria mais bela ainda,
Se as pétalas durassem mais.. dca

E O CRAVO PRAZENTEIRO
Iremos agora ao cravo,
De aparencia juvenil;
Que marcou o 'desagravo'
Do Vinte Cinco de Abril..dca

sábado, 12 de março de 2011

CONTINUAS .... PERTO AMIGO !!!



Trouxeram a notícia de que não estavas mais entre nós. Mentira, disse eu. Mentira, disseram todos os que te conheciam e sabiam do teu amor à vida e da tua noção do que o privilégio de viver implica de empenho na luta por aquilo que a torna digno para todos.
Passaram uns anos e eu continuo a ter a certeza de que estás por aqui algures. E que aplicas uma daquelas tuas frases bem irónicas aos meus cansaços, aos meus tédios, aos sobressaltos de percurso. Há coisas tão mais importantes na vida! O mundo é um mar de injustiças, de iniquidades e nós olhamos para o nosso umbigo. Aí,onde estiveres continuas a ser o exemplo que nos tira da apatia.
Continua perto, amigo. Porque todos os que te conheceram precisarão de ti, sempre.....!
Estejas onde estiveres recordar-te-ei !AUGUSTO MALUCO

quinta-feira, 10 de março de 2011

SONHOS .... CAOS ... E REALIDADES !!



A luz ergue-se majestosa e leva-me de olhos fechados para um mundo longínquo de palavras e sonhos... Abro as asas e ergo-me do alto daquela montanha, planando num voo desvairado e perdido, em busca do meu eu escondido... Sinto que o Universo se abre em dois... e agora? Para que lado sigo?
Cerro os olhos e, numa busca incessante, olho para dentro de mim... não, este não sou eu... e a dúvida cresce... a paz desaparece... uma batalha se trava dentro do meu peito e faz-me mergulhar na escuridão do inexplicável...
De repente... um som me faz parar neste voo incessante... um som suave... repetitivo... silêncio de novo... será da minha imaginação?... Não... não é imaginação... é uma voz dentro de mim que me grita: «liberta-te»... «solta as amarras do tempo»...
Luto... e nesta luta... não sei se venço... se perco... mas... perder o quê?... vencer o quê?...
Este caos interior que me faz agitar... é a minha luz no fundo do túnel... aquela que me faz vibrar e me faz avançar num tempo perdido... perdido no meio de sonhos e cor... no meio de realidades e de dor...
Ergo-me de novo, do meio desta confusão de pensamentos...
Vejo ao longe a saída desta espiral... e, arrastado pelo vento... saio de encontro à luz que me chama... mas... que é isto que me impede de continuar a deixar vaguear o meu pensamento?...
Acordo! Era um sonho... um sonho estranho... uma divagação... um caos interior...
O medo do caos faz com que me vire para o outro lado... para a sombra...
Tento adormecer de novo... analisar este caos interior que me invade o peito...
Onde me leva este rio de águas turvas e mornas, que me faz mergulhar sem destino na ânsia de encontrar as mais límpidas e cristalinas águas?... Por momentos, quero deixar-me levar sem pensar onde irei parar... Mas, não posso... Se o permitir... este rio levar-me-á a um oceano imenso onde me posso perder... não... isso não pode ser... a imensidão do mar assusta pela sua enormidade... mas atrai... pela sua beleza... pela sua liberdade... pela sua força...
E... de novo... a voz dentro de mim... num sussurro... que me sopra ao ouvido... «é chegada a hora de te libertares»...
Ganho forças... e solto-me da corrente... a corrente que me quer levar em direcção ao desconhecido... sento-me na margem do rio e observo o seu curso... não sem algum arrependimento... o que seria o desconhecido?... hesito... e neste emaranhado de emoções, de hesitações... entre o vai e o fica... está este meu eu contraditório... mas consigo vencê-lo... por agora...
Ao sentir a brisa que me toca o corpo... sorrio... levanto o rosto para o Sol... abro de novo as asas... e lanço-me, mais uma vez, num voo em busca... em busca de quê?... nem eu sei...
Do alto do meu voo... por entre as nuvens que por mim passam, vislumbro um lago calmo, rodeado da mais bela planície que alguma vez me foi permitido ver...
Desço os Céus e pouso à beira daquele lago espelhado...
Em meu redor... as flores crescem a cada segundo... numa velocidade vertiginosa...
E a luz do dia cede o seu lugar à escuridão da noite... a Lua surge no horizonte...
Ao olhar em volta descubro uma árvore pequenina... que estende os seus ainda pequenos braços, com pequenas folhagens a despertar... Encosto-me ao seu tronco... e fechando os olhos, adormeço, embalado pelo som suave das flores a crescer...
«- Acorda! Chegaste ao teu destino!»
Quero abrir os olhos, mas não consigo... faço um esforço... e abro-os...
Para meu espanto, sinto o meu corpo envolvido nos braços da pequenina árvore, num abraço protector, a qual se transformou num enorme salgueiro, durante a noite...
Lentamente... os seus braços se abrem... permitindo que me erga...
Mas... onde está a planície do dia anterior?... Olho em volta... e vejo agora uma floresta cerrada... onde nem a luz do Sol consegue penetrar...
Trim...trim...
Abro os olhos. Não, não pode ser. O mesmo sonho que retorna todas as noites para me atormentar...
Mas, que significará este estranho mundo que me rodeia neste sonho, nesta fantasia?... Já nem sei se é fantasia, se realidade, mas... agora nem é hora de pensar em tal. Mais um dia que amanhece, mais um dia de labuta neste mundo louco, de loucos...
E a noite chega... Pego naquele livro que me tem olhado, da minha mesa de cabeceira: há meses que o tento ler sem grande resultado... desde que os sonhos começaram... ou pesadelos... Sento-me no sofá, começo a folhear o livro... Ah! Cá está! Foi aqui que parei da última vez...
A pouco e pouco esqueço o universo em que me encontro e vou-me embrenhando, mais e mais, na leitura... e as imagens, das palavras que ansiosamente devoro, começam a invadir a minha mente...
... Sou eu quem ali está... junto daquela árvore, mas... ao lado, encontra-se também algo... ou alguém, multicolor... que será?!...
Aproximo-me para ver, não sem algum receio do que não vejo... do que não entendo... receio intercalado com aquela atracção que me faz avançar mais um pouco... só mais um pouco...
...parece... uma criança... não, já não é... é uma flor... e agora... uma pequena árvore em crescimento...
Mas... que será isto?...
...Espalha a sua beleza... a sua luminosidade... rodopia... oferece-me um sorriso... estende-me o seu braço... sim... é um braço... de novo, a criança sorri à minha frente... o seu pequeno punho fechado, abre-se... e, na pequena palma da mão, está algo que brilha... fecho os olhos, fiquei ofuscado subitamente... estendo a mão... e...
...e o sonho termina...
...e surge a dura realidade... vou dormir...

terça-feira, 1 de março de 2011

ENTRE A REALIDADE E O SILÊNCIO !




Nas muitas horas que consigo se encontrava, pensava. E sempre pensando lembrava passagens, presenças, ausências e distâncias na sua vida.
O seu terrível defeito sempre fora o do silêncio. Não de voz. Não. Até que era conversador. Ouvia, muito ouvia. Observava. Sempre observou, ainda que de soslaio sempre captava gestos imperceptíveis e sorria. Mas também muito calava. O seu drama era contornar esse inevitável muro de silêncio que à sua volta construía. E perguntava-se quando ruiria um dia.

Lembrava amigos. Amigos de longa data a quem, de quando em vez, abria a alma. Não temia revelar-se. Temia mais ser um peso para quem a tanto e por tanto tempo estimava. Entre as mais tontas e desconexas conversas, de quando em vez o desabafo surge. Felizes seríamos se não surgisse. Mas surge. No entanto, esses vagos e raros momentos (por vezes longas horas) surtiam o efeito de um bálsamo que alivia a maior dor de alma, seguindo o nosso egoísmo inato. Não nos perguntamos pelo silêncio de quem nos escuta, de quem connosco enceta uma interlocução. Estimava muito as presenças que mantinha na sua vida. Comove-se com os seus sucessos e com a felicidade de quem estima. Preocupa-se com os desaires, por mais insignificantes que sejam, nos seus percursos.

Lembrava também as ausências. Tantas e pelas mais diversas razões. Lamentavelmente.
A estima cultiva-se. Não brota espontaneamente, mas há empatias e simpatias que gostava de explorar. Não está contudo nas suas mãos. Como costuma dizer: "para se dançar um tango é preciso um par." E o tango da amizade não se dança sózinho. É construído de afinidades, de espaços e tempos comuns, partilhados e explorados. Há um segredo imenso que une os amigos: cumplicidades pequenas que os liam para uma vida. Nem é a distância física quem rompe esses laços invisíveis que se criaram.
Curioso pensar nisso: a amizade é cosntruída a par. Um mais um. Cada par é único. Cada amizade tem a sua própria história, como se pessoa fosse. Em cada circunstância o olhar e o sorriso são prontamente dirigidos de acordo com o contexto para quem mais imediatamente o com-preende. Não deixa de ser extraordinário. A história dos momentos que constroem cada relação. Mesmo que em silêncio de palavras, não o será em expressividade.
Olhava para a sua lista telefónica. Olhava para o extracto mensal das chamadas efectuadas. Lancinante: quatro telefonemas de curta duração. Trabalho. Pessoais nenhumas. Do telemóvel que possuia, via-se obrigado a fazer carregamentos obrigatórios porque não necessitava de o usar para questões pessoais. Mas a lista de contactos era enorme.Fazia poucos. Intrigante o facto de manter ainda vivos tantos contactos. Sobretudo os amigos. Mas os amigos lêem nas entrelinhas dos nossos textos onde estamos e como estamos.

Outros perdeu. Ou perderam-se. Não porque o tenha querido, apenas porque circunstâncias várias os fizeram sair do seu caminho. Lamenta bastantes. Qualquer perda é lamentável. Mas há perdas mais significativas que outras. Mas não se deve interferir nas decisões de cada ser. É isso que se chama respeito. E por amor também respeitamos.
Depois pensava: vale mais uma amizade ou vale mais um enamoramento?

Ah....... agora a resposta é difícil. Sorri para consigo: esses pensamentos só te fazem mal !
(texto adaptado por mim)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

PARA TI PAI.... PARA TI MÃE !!



Para ti Pai,
Faz anos que partiste... Estás noutro local, um local para onde foste, um local de sossego, de paz, não é ?... Tenho saudades tuas, pai !... Lembras-te do dia em que me disseste até breve ?... Lembras-te dos dias em que sempre estiveste a meu lado, lembras-te de tudo de bom que se passou antes de ires, lembras-te de tudo de mau que se passou antes de ires ?... Recordas o dia em que eu nasci, recordas o dia em que passaste ao estatuto de pai ?... Sei perfeitamente que te recordas e que só por isso te valeu a pena viver; sei que viveste em função dos teus, daqueles que faziam parte da tua própria vida, daqueles que eram a razão da tua existência!... Sei muito bem o quanto sofreste por mim e por todos os teus; sei perfeitamente o quanto lutaste para que nada me faltasse, para que tudo estivesse sempre bem... Lembras-te do dia em que te faltou algo para que eu não sentisse essa falta ?... Lembras-te do dia em que não comeste para que eu tivesse comida ?... Lembras-te do dia em que poupaste nos cigarritos para que eu tivesse dinheiro para o meu tabaco ?... Lembras-te do dia em que tiveste de pedir a um amigo para teres dinheiro para mim ?... Lembras-te do dia, de todos os dias da tua vida em que passaste mal para que em todos os dias da minha vida eu passasse bem ?... Lembras-te ?... Sei que te lembras e sei que sabes que tenho saudades tuas... um beijo para ti, pai!..."


Para ti Mãe,

Como eu gostava de ter uma varinha de condão para me transformar de novo em criança...
Voltar à altura em que não havia preocupações, o tempo era inesgotável e a distância não existia.
Sempre que me deitava no teu regaço, o mundo parecia parar e nada nem ninguém me podia fazer mal.

Infelizmente, tal varinha não existe e eu cresci... Cresci tanto que até já sei o que é o esternocleidomastoideu!
Concretizei o sonho que juntos sonhámos! E a minha maior alegria foi poder dar-te essa alegria!

Sabes Mãe, neste corpo de adulto ainda mora a mesma criança de antigamente, mas essa criança, de repente, de um dia para o outro, viu-se com responsabilidades, longe de casa e obrigada a dividir o seu tempo e a sua atenção pelas outras pessoas e afazeres que também passaram a fazer parte da sua vida.

E tudo isto é difícil... É tão difícil, Mãe!
Ainda mais quando sinto que te estou a magoar... A pessoa que mais amo... Aquela que fez de mim quem eu sou e a quem devo tudo!

Acusaste-me de ter mudado... De estar diferente... Mas eu não mudei... O que mudou foi a nossa vida...

Eu não mudei... Continuo a ver-te como a minha confidente, a minha conselheira, o meu refúgio e o meu suporte para a vida... E sei que também me vês assim.

Eu não mudei, minha Mãe... Ainda sou o teu menino e sempre o serei...

Venha quem vier, aconteça o que acontecer.

Amo-te muito!
J.O S É
(Clube Línguas vivas)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

VOZ SEM TEMPO !!



(FABULOUS FOUR)

"Saber que os amigos não necessitam de tempo,
saber que são os mesmos
e todavia distantes
a aqueles que o foram
quando os anos nossos
nos brindaram sua essência
do "companheiro eterno".

Porém voltam, persistem
e são tempo e castigo:
a idade não diferencia
a visão do amigo.
Minha idade, tua idade, a sua
não são marcas brutais
que separam os meus

O tempo
-novamente me enfrento com o tempo-
é uma forma doce
da constante lembrança.

Saber que os amigos
são de minha voz o tempo.
Saber que eles comigo
Ajudam-me ao eterno.

E então, cada dia
se volta ao princípio
de saber que um amigo
é uma voz sem tempo."

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EU DESAPAREÇO ......... !!


Por vezes tenho uma necessidade imensa de desaparecer ...

As pessoas que amo.. os meus amigos de sempre ..

... que penso que sabem bem quem são...

Nem sempre me entendem ..

É como hibernação ..

Sempre que há um problema .. algo demasiado .. que não sei resolver ...

Sempre que algo me magoa mais do que sei dizer ...

Eu desapareço ..



Faz parte da minha necessidade de me reinventar .. de renascer ..

De conseguir aceitar uma nova realidade.. uma nova contrariedade ..

De ganhar forças ...

Para conseguir viver sob novas regras .. novas formas..



Mas nem sempre me entendem.. nem sempre me perdoam este meu desaparecer ..

E dou por mim a acordar .. e a sentir a falta daqueles que amo ..

Porque é de amor que se trata ... de saudade..



Sei que ninguém deveria ter que esperar pelo outro ..

Mas cada um tem o seu ritmo ..

E cada um necessita muitas vezes de parar .. acordar .. e mudar ...

... de se esconder .. de sofre um pouco em silêncio ...



Uma certeza porém, é que mesmo que nunca vos fale, jamais vos esqueço ...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

É NELE QUE TU EXISTES ........... !!


Sentado no carro olho as luzes da cidade espalhadas pelas gotas de água que escorrem nos vidros.
Ligo o aquecimento, procuro uma estação de rádio. Música melancólica. Oceano Pacífico. Apropriado.
A noite vai ser longa e o dia foi cansativo.
"As noites longas do Oceano Pacífico".Dizem.
A música, o ruído de fundo da chuva e o cansaço levam-me para um espaço entre o sonho e a realidade.
Nele quero estar.
É nele que tu existes. Entre o sonho e a realidade.
Desde sempre foi aí que te encontrei.

Sabemos que o tempo é curto. Apenas existe naqueles minutos entre a realidade e o sonho.
Não sei se estás como eu, no mesmo espaço.
Mas nele não nos (re)conhecemos.
E ansiamos esse pequeno espaço de tempo em que, de facto, estamos vivos.
O tempo começa a esgotar-se. Luto contra o sono, luto contra o despertar.
O barulho de pancadas fortes e um coro de buzinas sobressaltam-me:
Acorde, gritam-me de fora do carro, o sinal está verde, porra !
Você está a empatar o trânsito!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

REVOADA DE SENTIMENTOS...... !!!


Voltámos finalmente
já quebradas
nossas débeis asa desoladas,
após a inclemente,
a inglória ascensão pelos espaços,
em demanda ardente ,
da perfeição espiritual,
como quem ergue os seus braços
na sede, que o devora , de Ideal

E nesta torturante
revoada
que trazemos de novo? Que sonhada
beleza triunfante ?
Foi inútil o voo pelas alturas...
Anda tão alta e distante
a nobreza da poesia
de linha sóbria a puras,
que não vimos a estrela fugidia.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ERA UMA VEZ...... !!!


(Monica Bellucci)


Era uma vez... Gosto imenso desta expressão. Não porque ela me leve ao
passado vivido e que não volta, ou me faça pairar nos braços da fantasia e do
sonho, mas porque tem o seu quê de misterioso a extasiar a atenção infantil que há em todos nós. Ficamos atentos e ansiosos por conhecer todo o
desenvolvimento e o final da história que desenvolve, ou dá largas à nossa
imaginação.
Pois então, era uma vez... um homem que, um dia, imaginou encontrar os
mais belos olhos do mundo. Bem poderia empregar o se tempo em coisas
menos custosas e que não fariam levantar quaisquer suspeitas a ninguém, mas
propôs-se a si próprio esta tarefa de pesquisa. Fê-lo por todos os cantos e
esquinas, em muitos dias, meses e anos seguidos, sempre com a esperança
bem funda de, num lugar qualquer, numa ocasião fortuita, encontrar e
contemplar, com todo o encantamento possível, os mais belos olhos do mundo......
Era uma vez... um homem (tu? eu?) que procurou, entendeu a vida e as suas coisas, mudou a maneira de ser e encontrou um rumo mais certo,
porque, na pureza do seu coração, redescobriu, mesmo já cansado, os mais
belos olhos do mundo... Os seus, os nossos !!
(texto adaptado por mim )

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"HOMEM BOM"



Algumas perguntas a um “homem bom”

Bom, mas para quê?
Sim, não és venal, mas o raio
Que sobre a casa cai também
Não é venal.
Nunca renegas o que disseste.
Mas que disseste?
És de boa fé, dás a tua opinião.
Que opinião?

Tens coragem.
Contra quem?
És cheio de sabedoria.
Para quem?
Não olhas aos teus interesses.
Aos de quem olhas?
És um bom amigo.
Sê-lo-ás do bom povo?

Escuta pois: nós sabemos
Que és nosso inimigo.
Por isso vamos
Encostar-te ao paredão.
Mas em consideração
Dos teus méritos e das tuas boas qualidades
Escolhemos um bom paredão e vamos fuzilar-te com
Boas balas atiradas por bons fuzis e enterrar-te com
Uma boa pá debaixo da terra boa.

(Bertolt Brecht)