sexta-feira, 27 de novembro de 2009

UMA PINGA BEM FRESQUINHA.........!!!


Ti jaquim, quero uma pinga bem fresquinha ..... já vai , daquilo que conhecia desta personagem ficava sempre fascinado pela sua maneira de ser.
Caminhava directo ao poço e tirava um garrafão de vinho,bem lá do fundo ,"enforcado" pelo gargalo e era só encher uma garrafa ou um jarro de vidro para repartir pelos sequiosos clientes que sentiam no palato a pinga, tinto ou branco, de uma frescura de um poço de 10 metros.
Mais própriamente falo do Meu avô Parrula , que tinha a sua " venda" e a forma que tinha de refrescar as bebidas era o poço no quintal.
O ti Jaquim quando põe os garrafões destápa-los para entrar água , ficam sempre cheios, era piada dos clientes...
Tempos em que o frigorífico ainda dava os primeiros passos, e não traria alguma viabilidade. pelos menos assim se pensava, já que as bebidas eram refrescadas sem gastar energia.
Já os refrigerantes ,pirolitos, gasosas , laranjadas e cervejas eram metidas dentro de um caldeiro puxados por uma roldana à força de braços.
Se o verão no Alentejo é quente.. ! nada melhor que uma bebida bem fresquinha ao natural .
Sousel e as suas gentes anos 50/60 .

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SERÔES ALENTEJANOS


Está frio , tinha chegado da brincadeira,não perguntava onde estavam todos ,eu sabia e era para lá que me dirigia.
ò Mãe então o jantar , na sua voz calma e serena dizia tem paciência meu filho que o jantar está ao lume.
A mesa já estava posta em volta, naquela chaminé alentejana estavam todos olhando uma tejéla de fogo , colocada numa trempe a apurar a refeição.
No lar o madeiro , que alimentava aquela lareira ,pretexto para juntar a família em seu redor, onde não faltavam 3 friorentos gatos .
Retirada a tejéla de fogo , que era de barro e posta no meio da mesa , fervia por mais uns bons minutos ,assim toda a refeição era comida sempre quentinha e com um odor e gosto do mais exigente paladar .
Chegava-se mais ao lume uma chocolateira também de barro para que o famoso cafézínho fosse feito " café ferrado," para quem não sabe levava com uma brasa no interior para baixar todas as borras.
Toda este ritual do acender da lareira ,do cozinhar , da reunião da família de alegria dos gatos que assim que ouviam um crepitar da lenha na sua combustão corriam a reclamar os seus lugares junto ao quentinho.
Serões alentejanos na sua plenitude .

domingo, 22 de novembro de 2009

É POR ISTO.....!!!!




E por isto que eu penso:
No que foi,no que poderia ter sido e no que poderá ser !

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ASSIM PENSO !



Escrever a história é um modo de nos livrarmos do passado
Goethe, Johann
fonte:citador

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

RESPEITAR A DIFERENÇA !




" Quando a gente pensa que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas... "


Um sujeito estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês a colocar um prato de arroz na Lápide ao lado.

Ele vira-se para o chinês e pergunta:

- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?

E o chinês responde:

- Sim, e geralmente vem à mesma hora que o seu vem cheirar as flores!!!

"RESPEITAR AS OPÇÕES DO OUTRO, EM QUALQUER ASPECTO, É UMA DAS MAIORES
VIRTUDES QUE UM SER HUMANO PODE TER. AS PESSOAS SÃO DIFERENTES, AGEM
DIFERENTE E PENSAM DIFERENTE".

fonte:aserra

TABERNAS. "VENDAS" E TASCAS


Com tendência a desaparecer, algumas ainda escapam nos mais recônditos lugares deste Portugal, mais na ruralidade onde se vão mantendo uma tradição do copo e da tapa.
Adolescentes,em que o tédio se apoderava de nós nada melhor que dar a volta a vila a visitar as "vendas" para um copo e uma tapa .
Começando e pelo principio, claro a " venda" do Parrula na avª calça e Pina, os petiscos mais básicos eram o toucinho, chouriço , farinheira , azeitonas queijo , os mais elaborados só de encomenda.
Na avenida 25 de Abril situava-se a "venda" do Edmundo Penado, com retiro para os mais discretos , baseando o menu na carne de porco, carapau frito ,conservas, como abria cedo era o "mata-bicho" de alguns com um copinho de aguardente e uma língua de gato.
No largo do Coval , era o "Capa-Rolas" ,mais a jeito de adega , mas com um menu variado baseado na gastronomia alentejana.
A " venda" do José Maluco era mais acima , esse só nos dava conservas, um misto de tasca e café já com televisão onde eu vi o mundial 66 o Portugal-Coreia, 5-3 , estão recordados .
No parreiral a "venda" do Corneta , caça e pesca eram os " petiscos" imensas foram as vezes que a nosso "grupo" comeu perdizes, lebres, coelhos ,assim como achigã ,carpas e barbo.
No bairro Bartolomeu o Francácio, sapateiro e dos bons tinha também " venda", mas para os fins de tarde e fim de semana.
No parreiral a "venda" do Zé Cabeças, mesmo colada a Igreja do Mártir Santo que na altura estava em ruínas , podia se petiscar a cabeça de porco , a orelha , o focinho de porco ,cozidos, havia também o célebre migos ,carne migada com pimentão já pronta para o chóriço.
O vinho tinto era o acompanhante de " honra" destas patuscadas.
Sousel e suas gentes,anos 60/70 do século passado.
Foto:jrsimas
Fonte:memória

sábado, 7 de novembro de 2009

ALENTEJANAS E AMOROSAS !


Em pleno Alentejo, numa tasca entra um jovem alentejano e diz:

Um copinho de aguardenti
Dois copinhos de aguardenti
As meninas desta terra
Põe a gente quenti!

Logo o pai de uma das meninas responde:

Um copinho de licori
Dois copinhos de licori
Levas c'um banco nos cornos
Passa-te ja o calori

Quem vê o trigo a crescer
tâ devagar, o magano,
inda é capaz de dezer
deve ser alentejano!

Na várzea vi o Perneta
cuidado nã se debruce
nã vi a tua caneta
e tamém nã ta truce!!!

Se me tão a chatear
com a vossa lenga-lenga
tão aqui tão a levar
porra! Tal tá a moenga

Os tempos tão tã mudados
faz-se tudo com tractor
já nâ se veêm cajados
nem sequer se faz amor!

A cachopa é vaidosa
anda c' a guadelha ruça
ou dêxa de ser teimosa
ou, então, leva na fuça!


A seguir vou almoçar
mastigo umas carcaças
saio para trabalhar
tá um calor do caraças!


Gostar de trabalhar
ainda nã há manêra
portanto, vou-me dêtar
debaxo da azinhêra!



fonte: alembradura de um cumpadri ma mandou nesta coisa do e emel ó coisa que valha !

AÇORES



Por curiosidade,estes paineis de azulejos foram feitos e fabricados no ano de 1965 na Fábrica de loiças de Sacavém e colocados no ISCAL.

domingo, 1 de novembro de 2009

"AQUI VENCEREI "


Desde muito miúdo ouvia a palavra "vencerei", próximo ou à entrada dos Coitos,isto é onde começam as courelas dos agricultores desta vila.
Ali joguei à bola, ali passava para apanhar o comboio e ou a automotora para Estremoz nos tempos de estudante e para Santarém para ir para a "guerra" mais própriamente para a Escola Prática de Cavalaria.
Senhora da Orada, santa da minha devoção ,onde se orou uma missa pelos mancebos de 1973, acompanhava-me uma pagela desta santa oferecida pela minha mãe neste mesmo ano.
Senhora da Orada tem a sua história, Não só dos fiéis mas também conhecida nesta região e na História de Portugal.Situada na região Vencerei assim conhecida pelo povo desta terra, foi aqui que o Condestável.D.Nuno Álvares Pereira vindo de Estremoz, onde formou exército ( mais uma vez alentejanos em acção). De passagem para e a caminho dos Atoleiros,que fica a uma dúzia de quílometros ,rezou pedindo à Virgem,coragem para ganhar a batalha "Aqui Vencerei" cognominado para sempre esta região.Julgando encontrar Castelhanos , mas foi mais adiante nos Atoleiros,próximo de Fronteira onde venceu a 6 de Abril de 1384,afugentando com esta batalha aqueles que queriam dominar este país.
Onde vais?
Vou ao Vencerei, assim ficou para sempre ... a este povo

MAS AINDA RESTAM ALGUNS........!





Tudo quanto Sonhei se Foi Perdido

O que sonhei e antes de vivido
Era perfeito e lúcido e divino,
Tudo quanto sonhei se foi perdido
Nas ondas caprichosas do destino.

Que os fados em mim mesmo depuseram
Razões de ser e de não ser, contrárias,
Nas emoções que, dentro em mim, cresceram
Tumultuosas, carinhosas, várias.

Naqueles seres que fui dentro de um ser,
Que viveram de mais para eu viver
A minha vida luminosa e calma,

Se desdobraram gestos de menino
E rudes arremedos de assassino.
Foram almas de mais numa só alma.

Francisco Bugalho, in "Dispersos e Inéditos"