quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

METADE !!!



Metade Que a força do medo que eu tenho,...

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
...
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também

Ferreira Gullar

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O NATAL... !!


Ó Zeii vai-te deitar amanhã quando te levantares vens abrir as prendas do menino JESUS .... lá deixava eu os sapatos à chaminé ...... e ficava todo contente por ser NATAL ... dos pobres !!!
Quem passe por aqui desejo-lhe um BOM NATAL e um PRÓSPERO ANO NOVO !!!

domingo, 12 de dezembro de 2010

TRILHOS !!!!!


São infinitos os caminhos do mundo!
Por vezes:

- Encontram-se;
- Cruzam-se;
- Tocam-se;
- Fundem-se;
- Unem-se;

E, nestes caminhos cruzados,
Existem:

- Histórias imortais;
- Momentos eternos;
- Factos inesquecíveis;
- Vidas que não se apagam;
- Imagens permanentes;
- Pequenos “nadas” tão importantes;
Há pessoas que:

- Te cativam;
- Se completam;
- Se entregam;
- Se partilham;
- Se querem bem…

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"INDO PARA CASA......EU, QUAL !!!????






CAMINHOS***

Percorri tantos caminhos...
Derrapei – Acelerei...
Viajei – Ultrapassei...
Encarei tantos desafios...

Em cada nova trilha uma surpresa...
A cada busca um recomeço...
E nos desafios escondidos no tempo...
No verso nas trevas sem fim...
Eu fazia minha pausa...
E aos anjos minha prece...

Sem perceber tantos conflitos...
Que me procuravam...
E a mim se apresentavam sem eu pedir...

Na contemplação do universo...
Da roda da vida eu cai...
Refletindo minha alma...
Nos atropelos do dia-a-dia...
Eu crescia...

Fiz-me senhora de desejos...
E no amor um único olhar...
Agora deixo tudo fluir...
Neste maravilhoso mistério...
Que é sobreviver...
E em versos escrevo...
Minha poesia ainda juvenil...
Vania Staggemeier

domingo, 5 de dezembro de 2010

A MATANÇA DO BACORINHO PRETO !!!!!



Velha como o passado, esta tradição alentejana de matar o bacorinho preto. Matança que assegurava a mantença pela primavera, verão e outono. No inverno seguinte outro sacrifício haveria. Só mesmo as famílias mais deserdadas o não faziam e, infelizmente, não eram poucas. Os outros, era conforme as posses, ia desde as quatro arrobinhas do remediado às muitas arrobas dos vários bichos sacrificados na casa do lavrador.
Cumpria-se assim, anualmente, o ritual da matança em igualdade de rotina e entusiasmo a par de todas as outras tradições, - o alavão dos queijos, as filhoses do carnaval, o borrego da Páscoa, a quinta-feira da espiga, a adiafa das colheitas e a prova do vinho novo -.
Após apalavrar o negócio do bicho e aprazar o dia do sacrifício, convidava-se uma roda de familiares e amigos com fama de entendedores no assunto. Amolavam-se as facas tendo especial atenção na sangradeira, acarretavam-se os tojos, dava-se uma vista de olhos pelo estado da banca e do chambaril. Areava-se o tacho de cobre que, no resto do ano, fazia vista na estanheira. Tinha-se em especial atenção o aprovisionamento do sal, bem como a limpeza do lugar onde ele iria ter a função de conservante, a salgadeira.
E lá chegava o ansiado dia, geralmente um domingo. A alvorada era cedo, até para os gaiatos que de qualquer maneira quase não tinham pregado olho, tal era a excitação. A mesa do mata-bicho era posta ainda com o lusco-fusco, e não lhe faltava a aguardente e as passas de figo. O resto do aparato, da banca às facas, dos alguidares aos tachos, estava tudo impecavelmente arrumado como se de uma sala de cirurgia se tratasse.
A divisão de tarefas, fazia parte de um acordo estruturado há muitas vidas. Cabia aos homens o sacrifício, o musgar e o lavar, o desmanchar do animal e o separar das peças grandes. As mulheres, tinham de cor a sua labuta, aparar o sangue, lavar e preparar as tripas, fazer os torresmos e a banha mais a tarefa incontornável de tratar das comedias para o afago dos estômagos. Migar a carne do alguidar, temperar e posteriormente fazer os enchidos eram geralmente tarefas também suas, segundo a boa mão e o reconhecido saber fazer.

O ponto alto, era pelo meio da manhã no tirar da bucha. Molejas, febras e outras peças entremeadas, eram assadas no lume que aquecia o tacho para o fabrico da banha. A mastigação destas premissas, era saboreada com o acompanhamento de copos de cinco, de tinto ou branco conforme o gosto. Ao almoço, entre outros comeres, amesendava-se uma belíssima rexina, prato tradicional comum a todo o Alentejo, divergindo apenas de lugar para lugar o seu chamamento, - no alto, rexina, no baixo, serrabulho ou moleja.

domingo, 28 de novembro de 2010

O EU E O OUTRO !!


Um dia, eram talvez umas onze da noite, estava em minha casa, sozinho, quando recebi o inesperado telefonema de um querido amigo meu. Fiquei muito feliz por lhe ouvir a voz.
«Oi? Tudo bem? Como é que vai a vida?», perguntou.
E eu, sem saber porquê, respondi-lhe: «Oh... para aqui estou, muito só...»
«Queres conversar um bocado?»
Respondi-lhe que sim, satisfeito.
«Queres que vá até a tua casa?», perguntou-me.
Voltei a responder que sim, entusiasmado com a perspectiva de ter alguém com quem trocar dois dedos de conversa e animar o serão.
Desligou o telefone e, pouco depois, lá estava ele à minha porta.
Fartei-me de falar durante horas: do meu trabalho, da minha família, do meu divórcio, dos mil e um problemas da minha vidinha. Atento, ele escutou-me, animou-me, apoiou-me, aconselhou-me. Nem dei pelo tempo passar. Apesar de, nesse dia, estar muito cansado, a companhia do meu amigo fez-me muito bem. Foi óptimo para mim desabafar e escutar conselhos e palavras amigas. Era quase de madrugada quando nos despedimos.
Já à porta, lembrei-me de perguntar porque me tinha ele telefonado naquela noite, se tinha algum motivo especial.
Então o meu amigo disse-me:
«É que eu queria dar-te uma notícia... Fui ao médico e soube que os meus dias estão contados. Entrei em contagem decrescente...»
Fiquei tão surpreso e consternado que nem recordo o que mais lhe disse. Talvez um monte de vulgaridades. Mas, quando finalmente fechei a porta, de novo sozinho, entre os meus desencontrados pensamentos e emoções, não pude deixar de sentir um enorme desconforto pessoal. Quando o meu amigo me perguntou como eu estava, esqueci-me dele e só falei de mim. Ele, com os dias de vida contados, teve forças para sorrir, escutar-me e aconselhar-me e eu passei o tempo todo a pensar em mim e a falar dos meus dramazinhos pessoais. E, para cúmulo, desconfio bem que, se não fosse a tragédia do meu amigo, nem estava para aqui a recriminar-me pelo meu egoísmo...

Esta pequena estória sobre a amizade e as limitações do nosso próprio Ego, por tendência tão centrado nas próprias necessidades

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O MEU ALENTEJO


O meu Alentejo...


Olho para trás, entre uma lágrima fresca
Que me embacia a visão mas não a memória.
Olho para trás, entre a brisa doce e quente do Verão
Um Sol que me seca o suor e me para no tempo

Olho para trás enquanto vou respirando este odor da Esteva
A visão dos Cardos que desposa os montes e cerros
São o livro que levo comigo e onde desenho a minha existência
A Ermida árida de um coração triste e ressequído.


Olho para trás e alimento já a saudade do futuro
Neste Alentejo da minha alma que vai ficando
Como se fosse uma voz que chora cantando
Um fado arrastado e sentido no peito
De quem espreita a vida empoleirado num muro.


Olho para trás e relembro a ceifeira do Trigo
Que adorna os planícies num manto cor de mel
Que marca a memória de quem vai partindo
E pinta a visão de um céu pejado de estrelas.


Se tu já não consegues ser, meu Alentejo,
Então também eu já não sou.
Se já não te conseguem ver, Terra dos meus sonhos,
Então prefiro cegar no momento em que olho para trás
Para jamais esquecer a Urze e as Oliveiras.


Olho para trás e espreito o teu alpendre
Vejo que te despedes para abalar, uma vez mais.
Levas a foto do Casario alvo e o aroma do Ensopado
No lenço que esvoaça livre por entre um povo honrado.
(Foto jrsimas)

domingo, 21 de novembro de 2010

SIMPLESMENTE ..... IMPRESSIONANTE


Simplesmente.....Impressionante
Fui à festa, mãe.
Fui à festa, e lembrei-me do que me disseste. Pediste-me que eu não bebesse álcool, mãe...Então, bebi uma "Sprite".
Senti orgulho de mim mesma, e do modo como me disseste que eu me sentiria e que não deveria beber e conduzir ao contrário do que alguns amigos me disseram.
Fiz uma escolha saudável, e o teu conselho foi correcto.
E quando a festa finalmente acabou, e o pessoal começou a conduzir sem condições... Fui para o meu carro, na certeza de que iria para casa em paz...
Eu nunca poderia imaginar o que me aguardava, mãe...Algo que eu não poderia esperar...
Agora estou deitada na rua, e ouvi o policia dizer: "O rapaz que causou este acidente estava bêbado", mãe, a voz parecia tão distante...
O meu sangue está escorrido por todos os lados e eu estou a tentar com todas as minhas forças, não chorar...
Posso ouvir os paramédicos a dizerem: "A rapariga vai morrer"...
Tenho a certeza de que o rapaz não tinha a menor ideia, enquanto ele estava a toda velocidade, afinal, ele decidiu beber e conduzir, e agora tenho que morrer...
Então por que as pessoas fazem isso, mãe? ...sabendo que isto vai arruinar vidas?
A dor está-me a cortar como uma centena de facas afiadas...
Diz à minha irmã para não ficar assustada, mãe, diz ao papá que ele seja forte...
E quando eu for para o céu, escreva "Menina do Pai" na minha sepultura...
Alguém deveria ter dito aquele rapaz que é errado beber e conduzir...
Talvez, se os seus pais tivessem dito, eu ainda continuasse viva...
Minha respiração está a ficar mais fraca, mãe, e estou realmente a ficar com medo...
Estes são os meus momentos finais e sinto-me tão desesperada...
Eu gostaria que tu pudesses abraçar-me, mãe, enquanto estou esticada aqui a morrer, eu gostaria de poder dizer que te amo, mãe...
Então... Amo-te e adeus..."

Estas palavras foram escritas por um repórter que presenciou acidente.
A jovem, enquanto agonizava, ia dizendo as palavras e o repórter ia anotando...muito chocado; depois este repórter iniciou uma campanha...

Este texto chegou-me por mail. É mais uma tentativa de consciencializar as pessoas, e lembrar que a sua vida também corre perigo. Este é um pequeno gesto que pode fazer uma grande diferença!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

BEIJO AO LUAR


Joguei um beijo ao luar
Ao teu olhar sedutor
No teu rosto foi parar
Com sentimento de amor

Quando te vejo passar
Sinto rosar minhas faces
O coração palpitar
Como se tu me beijasses

A ti me sinto enlaçado
Através de beijos teus
Não os troco nem por nada
Para que sejam só meus

Ao luar da noite bela
Minha alma flutua
Se te vejo da janela
Atiro beijos para a rua

Os meus suspiros são beijos
Que eu quero acalentar
Teus lábios são meus desejos
Quando os beijo ao luar

domingo, 14 de novembro de 2010

UM SONHO !!


Um sonho...
Em tenra idade, deslumbramos sonhos e conquistas que desejamos alcançar em adultos, horizontes longínquos e metas credíveis. O Mundo em que vivemos é fantástico, não existem guerras, fome ou injustiça... tudo é espantoso! Eu quis ter um navio, descobrir tesouros, traçar conquistas e realizar o sonho de todos os mortais; ser poderoso. Tudo não passava do fascínio que temos pelo que vemos, pelo que as histórias de encantar nos proporcionam. As florestas mágicas, os cogumelos gigantes, a magia... tudo não passa de uma ilusão; uma ilusão fantástica devo dizer. Acreditamos em tudo o que vimos, o mal e o bem é diferenciado de uma forma tão ténue que por palavras torna-se difícil explicar.
Crescemos... Apercebemo-nos que o Mundo é feito de pessoas hipócritas, pelo consumo idiota, pelo mal-estar!

Vivemos no planeta Terra !

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

S.MIGUEL





Mudam-se os tempos muda-se as vontades ....
Também mudaram os dias desta grande feira que foi a Feira de S.Miguel em Sousel ,a maior feira de todo Alentejo, principalmente em gados, e que se realizava em 29 e 30 de Setembro, anualmente .
Era grande o movimento... incalculável as transacções de gados neste dia, transportados por caminho de ferro, chegavam a Sousel das Beiras, Trás-os-Montes e do Alentejo mais profundo....
Era o momento de acertar contas ... patrões e empregados , maiorais que nestes dias recebiam o seus salários, que durante o anos recebiam apenas uma parte todos os meses.o restante era agora, a percentagem que recebiam vendendo os seus gados que apascentavam de conjunto com os dos patrões .
Era grande a alegria ... o convívio, sempre se comprava um par de botas e um guarda-chuva para passar o Inverno e pouco mais de cem escudos chegava ...
Ainda vi resquícios desse tempo ,as memórias de quem por lá passou e viram nada voltará a ser como dantes.... Tanto gado, cavalar, manadas de éguas com crias, gado bovino aos milhares, varas de porcos rebanhos de ovelhas ....tanto gado numa feira .
As barracas de toda a espécie e feitio ... os carrosseis as pistas de carros o poço da morte e os circos ...houve uma pista de aviões que recordo com saudade ... aquela que levei a Diamantina a dar uma volta ... voei até ao infinito !!!
S. Miguel era um fascínio, principalmente para jovens .
Outras gentes
Uma época
Um grito ensurdecedor de uma grande Feira :
-ÁGUA FRESCA REGALADA,POR 2 TOSTÕES A BARRIGADA !

sábado, 6 de novembro de 2010

O BILHETE QUE NÃO CHEGOU A SER........!!!


Aquela tarde de Primavera seria igual a tantas outras se não fosse aquele bilhete. Foi a seguir ao intervalo de uma aula, de duas horas, de desenho. Entrei na sala e mal me sentei na carteira, reparei num pequeno bilhete dobrado, meio escondido debaixo da minha folha de desenho.
Desdobreio-o..."Gosto muito de ti. J".
Ai que aflição! Como se não bastasse ter ficado corada, fiquei com a sensação que toda a turma olhava para mim. Pensei em esconder o bilhetinho, mas não resisti e fiquei a olhar...Quem seria o J? João...José...João Carlos..."Gosto muito de ti. J". Quanto mais olhava mais a minha curiosidade aumentava. Olhei à volta...Se o J fosse da turma...devia estar à espreita a ver qual a minha reacção...Ah! Mas se assim fosse...eu...Repentinamente, voltei-me para trás a ver se encontrava alguém com cara de...suspeito. Nada. Não encontrei nada. Apenas o Eduardo a olhar para mim, mas esse, claro, não podia ser. Ele até piscou-me o olho!
Estava tão distraída que o professor por pouco não apanhou o bilhete. Foi por um triz. O Eduardo continuava a olhar para mim. Talvez estranhasse a minha atrapalhação.
Mas aquele bilhete...Gosto...Gosto muito...Gosto muito de...ti...
Mas que poderia ter sido ..... ainda foi escrito mas não chegou a ficar debaixo da folha de desenho ..........!!!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CORAÇÃO TEIMOSO !


O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa
AS palavras que nunca te direi, se .........!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

LUAR DE AGOSTO !!


Nas belas noites enluaradas de Agosto
Toda a terra prateada com o seu esplendor
Ouvem-se linda musas, em trovas de amor
Lindos sorrisos seduzindo teu rosto

Agosto, da suave brisa perfumada
Caindo sobre vastos roseirais, em flor
No silêncio da noite, ecos de trovoada
E ao deslizar , de uma lágrima orvalhada

Depois de termos sonhos em realidade
Luzente .espelho da lua,onde me vejo
Ao fazer uma prece, sinto tal desejo
Que a noite linda,surge a claridade

E no calar da noite,beijo o teu rosto
À luz dum pirilampo, sinto o teu calor
Murmuram meus lábios,ao chamar-se amor
Nas belas noites,enluaradas de Agosto

( De um poeta popular ..quem saiba que diga !!)
Estamos no Outono triste e pardacento ..dou vos uma noite de brilho e talento de quem
fez estes versos!!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

MEMÓRIAS !!!!



DIA 24 de ABRIL de 1974
PROGRAMA I
12.45 - Desenhos animado»
13.00 - Fronteiras do amanha
13.15 - «Agulhas e alfinetes»
13.45 - Telejornal
14.00 - Feminino singular
14.20 - Logo à noite

CICLO PREPARATÓRIO TV
14.40 - Língua portuguesa 2º ano
15.05 - Matemática 1º ano
15.30 - Desenho 2º ano
16.00 - Educação física 1º ano
16.25 - Hist. e geog. de Portuga 1º ano
16.50 - Matemática 2º ano
17.25 - Língua portuguesa 2º ano
Ï7.55 - Eurovisâo
Futebol - Transmissão directa do jogo Magdeburgo-Sporting para a «Taça das Taças"
19.45 - Telejornal
20.00 - Perspectiva
20.45 - Vamos jogar no Totobola
21.00 - Uma família vulgar
21.30 - Telejornal
Boletim meteorológico
22.05 - Concerto
Trio para piano, violino e violoncelo, op. 11, de Beethoven, interpretado pelo Trio Stern
22.30 - A família Strauss
"Emília", por David Reid, com Eric Woofe, Stuart Wilson, Anne Stallybrass, Barbara Ferris, Derek Jacobi, Chritopher Benjamim e David de Keyser. Música pela Orq. Sinf. de Londres
23.45 - Telejornal

PROGRAMA II
20.30 - «Agulhas e alfinetes»
21.00 - Fronteiras do amanhã»
21.10 - Desenhos animados
21.30 - Telejornal
Boletim meteorológico
22.05 - «O Aventureiro»
22.40 - Encontro com o mundo"

Diário de Notícias (24 de Abril de 1974).
Cartaz dos cinemas em 25 de Abril de 1974

ALVALADE
«A rainha do karatê», de Chien Lung
Preço de 10$00 a 30$00.

APOLO 70
«American graffiti», de Georges Lucas
Às 00.00 horas: «O Candidato», de Michael Ritchiie
Preço de 7$50 a 30$00

AVIS
«Malteses, burgueses e às vezes», de Artur Semedo
Preço de 15$OO a 27$50.

BERNA
«Jesus Cristo superstar», de Norman Lewison
Preço de 20$00 a 35$OO

CASTIL
«Segredos proibidos», de Philip Saville
Preço de 20$00 a 35$OO

CINEARTE
«Corrida selvagem», de Burt Topper
Preço de 12$50 a 22$50

CONDES
«O magnifico» de Phililipp de Broca
Preço de 12$50 a 27$50

ÉDEN
«Cantinflas às ordens de vosselência», de Miguel M. Delgado
Preço de 12$50 a 27$50

ESTÜDIO
«Ritual», de Ingmar Bergman
Preço de 20$00 a 27$50

ESTÜDIO 444
«O porteiro», de Bernard le Coq
Preço de 17$50 a 25$00

EUROPA
«Almas a nu», de Simone Signoret
Preço de 15$OO a 22$50.

IMPÉRIO
«Um homem de sorte», de Lindson Anderson
Preço de 15$OO a 27$50.

LONDRES
«O convite», de Claude Goretta
Preço de 20$00 a 35$OO

MONUMENTAL «Harry, o detective em acção», de Ted Post
Preço de 20$00 a 30$00

MUNDIAL
«O nosso amor de ontem», de Stark
Preço de 17$50 a 30$00

ODEON
«Cruel vingador», de Chang Chen
Preço de 17$50 a 25$00

OLYMPIA
«Fabricante de loiras explosivas», de Mário Bava
Preço de 11$00 a 15$00

PATHE
«Conde Yorga Vampiro», de Bob Kelllan
Preço de 20$00 a 30$00

POLITEAMA
«Eusébio, o panterara negra», de Juan de Orduna
Preço de 10$00 a 22$50

ROMA
«O nosso amor de ontem», de Stark
Preço de 17$50 a 27$50

ROXY
«Até ao amanhecer», de Peter Collmson
Preço de 20$00 a 30$00

SATÉLITE
«Cerimônia solene», de Kagisa Oshima
Preço de 20$00 a 30$00

SÃO JORGE
«Tchaikovsky, delírio de amor», de Ken Russel
Preço de 17$50 s 37$50

TIVOLI
«A golpada», de George Rey Hill
Preço de 12$50 a 30$00

VOX
«O homem das solas rotas», de Cliff Owen
Preço de 20$00 a 35$00

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CARTAS DE AMOR !


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas)
Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

CONVERSAS DE AMIGOS


-Surpreendes-me !?
Porquê !?
É impossível !
Lá estás tu a impor limites !
Sabes que não há limites quando se acredita ....
Eu creio..
Isso é conversa tua ..não te limites abre a o teu coração .. .. ou fala Comigo !
Por vezes faço-o , mas CONTIGO eu não te vejo ...
Mas escuto-te ..
Não me parece .. ou então trocas-Te-me as voltas
Tu é que as trocaste..
Eu Porquê ... !?
Indiquei-te o caminho . Voltei as "COSTAS" e tu procedes como a maioria ...
Mas ...
Mas qual mas... fundamenta o teu mas !!
A nossa existência não é uma forma !?
Não... o caminho que te escolhi era para seres tu ..
Não compreendo !??
Claro ...
Pensas-te de forma errada para a tua maneira de ser .. racionalizas-te,procuras-te onde a tua felicidade não estava .. cansaste-te ocupas-te o teu tempo em prol da tua profissão .esqueceste-te de viver ..
Será !?
É, foste esquecendo de MIM .só quando precisavas é que te lembravas ... dizias que estava ZANGADO contigo .que o CUMPADRI não ma liga nenhuma -...
E ESTAVAS LÀ !???
Sempre estive ...mesmo que não rezes .mas por vezes lembras-te o que já não é mau ..
E porque tive que passar todas a vicissitudes desta vida !??
São uma aprendizagem !
Dispensava ... !
Não amigo não é assim ... o teu paraíso será ... os outros o conquistarão ou não !!
Tudo o que pediste te foi oferecido ... espiritualmente claro, e não me venha com poder dinheiro ou outras coisas que são efémeras.
Mas o meu "amor próprio" foi por vezes abalado.. porquê!?
Tinhas que acreditar sempre ...
Em TI !??
Principalmente ... e em ti não és melhor nem pior que os outros !
Bolas, ÉS directo !
Quero o teu melhor !
E o teu melhor és tu ... aguarda , prevalece ,diverte-te com a tua vida !!!
Desafio-te sempre ?
É mais um aquele que me surge agora !?
É .....
ÁH,não contabilizes , arquiva o que já fizeste .... e vive o que está a fazer !
Eu mandei-te um ANJO não o recuses ....!!!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SINAIS DA VIDA !!!


Chamaram-te ao telefone.....
Quem era ... só disseram que queriam falar com o Furriel Piteira !!!
Que mudaria, a viagem seria talvez outra !? coincidências ou não o que é facto é que esse telefonema ainda hoje não sei de quem foi .
Privilegiado como eu fui ,meus camaradas estavam bem mais longe de casa que eu ,saía do Regimento de Cavalaria e logo ao virar da "esquina" era a minha.
Já muito doente era essa a minha preocupação , perguntei à minha mãe se tinha telefonado , não, não fui eu,fiquei mais sossegado ... mas partir daí o cenário foi diferente ,para pior.
Afinal estava no meu mundo.... da cidade que mais gosto, dos amigos ... da loja do SrºJosé Redondeiro o mesmo que me facilitou a compra das minhas primeiras calças de ganga Lois , que me dava boleia na "Mercedes" que teve ou ainda tem ... nas moças que tinha como empregadas ... principalmente a Joana com que eu simpatizava mais,namoro de tropa , não se!??
Porque " carga de água" fui associar um simples frame de um filme e lembrar isto tudo, andava dividido ..... eu tinha que seguir o meu caminho ,mas deixaria naquela estação quem me deu a mão para tomar a minha viagem .
Esse telefonema mobilizou " meio Quartel" exagero meu . mas quase ....
Pelos altifalantes do quartel anunciaram assim :
Chamam ao telefone O ExºSr Furriel Piteira , olha que importante eu fui ....
depois vinha o melhor , o pessoal assim que me apanhou as bocas de jovens irreverentes e de um salutar gozo ....
Frente a um pelotão ,fiquei ruborizado com o gozo da malta , sacanas .... afinal
quem teria sido ... e eu desenfiado no Café Águias D`Ouro ..... porreiro, na maior !!

sábado, 9 de outubro de 2010

O RESTO DA HISTÒRIA TU CONHECES......... !


Para o meu amigo Zé
Lembras-te? Já lá vão três décadas e mais uns pósinhos...

Era uma vez um miúdo de vinte anos ingénuos que acreditava nos “amanhãs que cantam” e na “superioridade moral” dos homens que diziam estar a lutar pela construção, na terra, desses mesmos amanhãs cantantes....
Afinal... o resto da história tu conheces...
Contigo desabafei muitas vezes o meu espanto dorido - e as minhas lágrimas - ao ir descobrindo, da pior maneira, quanto me enganara, na minha ingenuidade tola. Os “amanhãs que cantam” ninguém os chegou a ouvir, não passavam de uma fórmula com data de validade já ultrapassada. E quanto à tal “superioridade moral”, deixem-me rir, dependia das pessoas e das situações. Havia de tudo: umas quantas pessoas que hoje recordo com admiração e gratidão, muita gente amorfa e deixa-andar que estava naquela onda porque, era a onda da moda neste nosso aparvalhado país e... pois, havia também uma boa meia-dúzia de “gente com olhinhos” que sacaneava os outros pelas costas e, cheios de falinhas mansas e/ou empolados discursos pseudo-revolucionários, vendia a sua “superioridade moral” por um prato de lentilhas, quando não por um mísero pires ou colher de lentilhas.

Zé, duvido que, lá no teu isolamento de boa fé, chegues a ler isto. Talvez melhor assim. Recorda antes os momentos alegres de convívio, o tal Natal em que fomos á missa do galo (lembras-te?), as conversas por vezes divertidas que tinhamos até ás tantas .
Gostei muito de te rever hoje.
Para ti, meu amigo, um poema que está de acordo com a tua maneira de ser.


Porque os outros se mascaram mas TU não

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

domingo, 3 de outubro de 2010

E AGORA,JOSÉ.....!!?



Olho e sigo um sinal..
Já não sou eu quem caminha
Sou levado por meus olhos
E guiado por meu coração
Que é o meu mestre
Sim, o meu humilde coração

Uma luz ao longe
Faz-me crer
Que não estou longe
Ou ao menos sinto
Que algo me chama
Para um renascer

A noite fascina...
São momentos de sedução
E o brilho da lua cheia
Que encanta sem pedir
Deixa-me tão fascinado
Entre sentir e o seguir

São sentimentos escondidos
Que se soltam pelo ar
São sonhos que se achavam perdidos
E que voltam a aflorar
Afloram como se fossem
Nuvens ao luar

Continuo em meu caminho
Que me deixa sem pensar
Entrego ao meu coração
A luz do meu olhar
E descubro na imensidão
Um lugar para ficar

Guiado por meu coração
E iluminado por meu olhar
Chego a este lugar
Que me oferece
Sem eu esperar
Um outro coração
Que me espera sem cansar

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ERA EU.......APENAS EU ...









Eu..... Era apenas Eu....

Interessante como a fotografia (quando no momento certo), pode mostrar quem realmente somos.... Desvendar nossa alma... Remover máscaras... Imortalizar um instante valiosíssimo, fazer-nos reflexionar...
Neste click “Eu” era apenas “Eu”....
Estranho afirmar isso para muitas pessoas...
Talvez....
Mas....
Para quem tem uma mente inquieta como cavalos selvagens, que geralmente não para nem um segundo do dia ou da noite, afirmar que “eu era apenas eu”... Isto significa muito.....
Sou inquieto, meu coração é inquieto.... Possuo uma inquietação que me acompanha desde que me entendo como gente. Será bom ou ruim? Não sei.... Depende...
Aliás, vamos ser lúcidos...
Sem interrogações neste instante, sem cobranças... Sem racionalismo.... Sem sentimentalismos.... Vamos nos despir de conceitos e preconceitos....
Vamos apenas viver este momento...
“Eu era apenas eu”....
Com a mente vazia, calma, equilibrada e feliz.... Eu era a união de todas os Josés e ao mesmo tempo nenhum deles.
Neste instante, neste breve e pequenino instante, (uma fracção de segundos talvez) minha ALMA foi fotografada.
Obrigada por este “click da alma” meu amigo, ele serviu para me mostrar que existe hora de acelerar e de reduzir a marcha e... Talvez... Esta foto me mostre que seja o exacto momento de reduzir o ritmo dos pensamentos... (pelo menos tentar, pois é muito difícil)
Deixar que a vida simplesmente aconteça, permitir que as águas fluam para o mar sem aprisionamentos, sem direcionamentos, sem cobranças, sem expectativas... sem atropelos...
Ser apenas “EU”....
Instante após instante.... até quando meus pensamentos inquietos permitirem.
Segundos? Minutos? Horas? Dias? Não importa....
Apenas viver.... Apenas sentir... Apenas ter PAZ..... Ser muitas faces e não ser nenhuma ao mesmo tempo....

domingo, 26 de setembro de 2010

VIAGEM DE VIDA



SOUZEL


Hoje, depois de tanto tempo,

me permiti visitar o passado.

E relendo as páginas anteriores,

fiz um balanço das coisas escritas

no livro de minha vida.

Somando tudo,

cheguei à conclusão de que houve

muito mais ganhos do que perdas.

Até mesmo nas lágrimas que chorei,

porque tornaram meu olhar mais brilhante;

até mesmo nas pedras onde tropecei,

pois me fizeram ficar mais atento ao caminho

por onde passava.

De cada desafio vencido

uma vitória;

de cada derrota

uma lição.

E a cada tombo

fui me fortalecendo mais.

Muitos passaram por minha vida:

alguns deixaram

seu perfume impregnado no ar;

outros deixaram

o gosto amargo de fel

e há os que passaram em branco,

deixando apenas

uma leve lembrança.

Amores eu tive poucos

mas de cada um retive

uma pétala de rosa

que guardo neste livro,

como lembrança.

Me fizeram sorrir...

chorar...sonhar...

Me mostraram a vida...

me fizeram desejar a morte...

Das dores ficaram

as marcas impressas

para que eu me lembrasse sempre

de agradecer a Deus

pelos momentos felizes,

mesmo que esses fossem fugazes,

porque da felicidade, em si,

não conheço muita coisa;

e acho mesmo,

que no fundo,

ninguém conhece.

sábado, 25 de setembro de 2010

SONHANDO FUTURO ........!!!



Luz acesa? Há tanto tempo que não passava por esta estrada. Será que está lá alguém? Desta vez vou entrar pela porta da frente e não pela janela... Tenho medo que sejam novos habitantes... E são, nós já depois de tanta coisa que por nós passou. Podiam ter sido anos, quase que pareceram. Depois de ter sido posto para fora, talvez me tenha enganado na pessoa , tive de ir arranjar mais dinheiro...

Já te disse eu como amo este espaço, que só existe comigo !!!

Agora sou eu que recordo esta casa... e estou encantado por reve-la... posso fazer tudo o que entender. Quero decora-la contigo, devolver-lhe vida, a alegria que uma casa de casal, , pode ter...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DE UM POVO


Estava só ... aquele dia iguais a tantos outros,sentado numa esplanada do café sobranceiro ao jardim municipal, bebia um café depois de almoço,fumei um cigarro à socapa, porque ainda não tinha fumado diante do meu pai..haveria pois quem me olhasse com sentido de reprovação.
Status ou irreverência.... !?
Vigiados quando estávamos em grupo porque poderíamos ter ideais progressistas ,já éramos jovens com alguns conhecimentos, será que era por falar-mos de Zeca não sei se o "informador saberia quem era " ou talvez pelos diálogos do dia que houve as eleições para a Assembleia Nacional , éramos menores ,mas já sabíamos quem ganharia ..pelo comentários dos mais velhos !
Mas nesse dia aproveitei para ouvir .... algumas passagens de 2ª Guerra Mundial e as repercussões em Sousel , extractos de memória desses comentários .
Alguém dizia - Nessa época ,com certos companheiros ,em cafés ou tabernas , passava-se os dias , lendo os jornais (quem sabia ler)que se devoravam de ponta a ponta sobre a guerra de Hitler_era um crime .era o fim de tudo isto , assim se julgava nesse tempo.
Grande parte do nosso Povo aglomerava-se em bichas, com cupões de cadernetas ,para angariar meio-quilo de pão e pequenas parcelas de arroz ,de açúcar ou de outras mercearias.
A guerra tocava-nos a todos que mais não fosse pelo dever moral de compaixão com milhares de pessoas que foram transportadas para campos de concentração e ali eram tratados sem o mínimo de dignidade,os jornais "Diário de Noticias" e "Século " assim informavam.
Lugares de gasolina fecharam.os transportes colectivos ,muitos deixaram de circular,e s camiões não eram todos os que circulavam , porque os seu proprietários não lhes podiam fazer ampliação para geradores a carvão .... gasolina e gasóleo desapareceram.
Estaríamos ameaçados pela guerra e por uma ameaça de crise económica a ponto de nos fazer sofrimento; mas longe dos horrores e das brutalidades que os jornais nos mostraram dessa pobre gente dominada pela força das armas e no fim condenada à pena ultima
O povo aglomerava-se em volta das telefonias e ouvia noticias da guerra, que locutores como Fernando Pessa transmitia .....
Foto: Sousel-MALUDA

terça-feira, 14 de setembro de 2010

OS MENINOS DE ABRIL !


Meu menino
Já ninguém estranhava. Desde que o filho morrera em Angola, na guerra, a Ti Custódia desatara a falar sozinha. A toda a hora: enquanto varria as folhas secas da figueira e das trepadeiras no quintal. Na estrada velha a caminho da mercearia do Jonico onde ia comprar pão. Na cerca onde plantava umas batatas e outros legumes para o gasto da casa. Por vezes eram conversas intermináveis, feitas de meias frases, de palavras sem nexo que ninguém entendia. As pessoas passavam e cumprimentavam-na: Como vai, Ti Custódia? Mas ela nem respondia. Absorta no falajar, nem dava pelo cumprimento.

Mas era no meio da Ria, na solidão de gaivotas e caranguejos, curvada sobre o viveiro de amêijoas que limpava, que Ti Custódia soltava, num desespero de gestos e palavras gritadas, a dor imensa que lhe cortava a alma: Volta filho, volta que a mãe morre de saudades de ti...
Cá de cima, encostado ao muro do velho Forte da vila, paredes meias com a igreja, debruçado sobre a Ria Formosa, o guarda-fiscal Matias olhava Ti Custódia e não conseguia deixar de suspirar. Ao contrário do que dizem as pessoas e os livros – pensava -, há coisas que o hábito e o tempo não desvanecem. Coisas boas e coisas más.

Para ele, Matias, era bom olhar a beleza azul-esverdeada da Ria Formosa, as águas mansas espraiadas na maré alta, apertadas na maré baixa, o veludo escuro do chão lodoso à vista.
Havia quase vinte anos que viera para aquele posto e todos os dias se encostava ao muro do Forte e olhava a Ria com os mesmos olhos extasiados da primeira vez: os barcos e bateiras a balouçar, os voos circulares ou picados das gaivotas, as marcas verticais dos viveiros, o labor humano dos homens e mulheres que cuidam da amêijoa em crescimento. Depois os olhos perdiam-se na ilha estreita e comprida, no areal fulvo, na linha densa das copas redondas dos arbustos baixos. E, logo a seguir, no mar. No azul do mar a prolongar-se, em dobra na linha do horizonte, no azul suave do céu. E sobre tudo, e sobre todos, a luz intensa e o quente sol de oiro do Algarve, em reverberações de cal branca e cores garridas.

Mas, para Ti Custódia, a beleza da Ria escoara-se no lodaçal no dia em que soube que o seu menino, a combater lá longe, em África, morrera. Para ela, o tempo não iria curar nunca a ferida e o vazio do filho que lhe fora arrancado. Meu menino! Meu menino...
Ainda por cima, o corpo do filho nunca lhe fora entregue, pensava o guarda-fiscal Matias, a fixar o vulto escuro de Ti Custódia, curvada no viveiro. Muitos voltavam em caixões de chumbo, e as famílias sempre podiam, ao menos, aliviar a mágoa com o funeral e o luto. Mas assim...
E agora, cinco anos depois do telegrama oficial com a trágica notícia da morte do filho, o outro filho da Ti Custódia, o mais novo, estava a um passo de ir para a tropa... e para a guerra no Ultramar, como o irmão.
Pobre Ti Custódia, pobres moços com a vida e a juventude truncadas, que raio de guerra esta!...

*

«Mãe, tenho uma coisa para lhe dizer. É uma coisa muito importante. Uma coisa que a mãe não pode nunca repetir. Nunca, a ninguém, nem à nossa Fatinha, pois a minha irmã ainda é muito nova e estouvada e pode descair-se com alguma palavra.»
Estavam as duas na cozinha, mãe e filha. Era de noite e estavam sozinhas, sentadas a costurar à luz mortiça de candeeiros de petróleo.
A mãe levantou os olhos enrugados para a filha: «Diz, Mariana.»
Mariana ajeitou no colo a peça de roupa que cosia, fixou o envelhecido rosto materno e respirou fundo: «Mãe, o nosso Zé António vai mesmo dar o salto.»
Ti Custódia estremeceu. Tremeu-lhe o corpo e fecharam-se-lhe os olhos. Mas perguntou ainda: «Quando?»
«Não sei, mãe, um mês, dois... Nem o meu irmão sabe a data concreta. Será avisado quase de véspera.»
Ti Custódia curvou-se toda na cadeira baixa, a olhar fixamente o chão, como se procurasse, no entrançado do capacho, alguma inspiração ou força obscura. E acrescentou, passado algum tempo: «É melhor assim. Assim não vai combater. Prefiro sabê-lo vivo, mesmo não o podendo ver nem com ele falar.»
O relógio de parede bateu horas, numa sucessão cadenciada de badaladas, e Mariana disse: «É melhor irmos deitar, que isto faz-se tarde e o petróleo do candeeiro está no fim.»
«Vai tu, filha, que a mim não me serve de nada ir para a cama que não durmo. Vai, Mariana.»
Ti Custódia ficou sozinha, na penumbra da cozinha, acabrunhada entre sombras e pensamentos. Via o filho mais velho. Era tão bonito o seu menino, com aqueles olhos pretos que riam com o brilho de pedras preciosas!... Meu menino, estás sempre vivo no meu coração... E agora o mais novo, com a tropa à espreita... Ah, Deus, que vida esta!... Que pouca sorte que lhe calhara como destino, a desta guerra em África!
Mas logo ouviu, clara e nítida dentro dos próprios pensamentos, a voz firme do filho mais novo: Mãe, não diga que a guerra é pouca sorte do destino, que é fatalidade ou vontade de Deus. A guerra é feita pelos homens. Pelos homens, mãe, e está nas mãos e querer dos homens acabar com a guerra.
Ah, onde teria este menino, vinte anos ainda por fazer, ido buscar estas ideias?... E agora ia fugir à tropa e dizer não à guerra, passar o Guadiana num sítio esconso, pela calada da noite, a esconder-se da GNR e da Guardia Civil espanhola, atravessar a Espanha e chegar a França. À liberdade.
França. Pelo menos tinha lá o cunhado, o marido de Mariana, lá emigrado a ver se ganhava alguma coisa para endireitar a vida. Mas esse fora com papeis legais. E naquela casa ficariam três mulheres e as crianças. Ela, viúva. A filha Mariana longe do marido emigrado há anos. A filha mais nova, a escrever cartas e aerogramas para um namorado que também estava na guerra de África. Que vida, que guerra, que destino...
E o eco das palavras do filho a ressoar-lhe de novo na cabeça, a pôr-lhe em dúvida as ideias: Mãe, a guerra é feita pelos homens. Está nas mãos dos homens acabar com a guerra. Assim como fazem a guerra podem fazer a paz e a concórdia.
*

«Ó mãe, já sabe o que sucedeu?»
«Eu não, filha, mas donde vens tu a sorrir dessa maneira tão alvoroçada?»
«Mãe, houve um golpe, uma Revolução, uma coisas dessas em Lisboa. Feita pelos militares. Foi esta madrugada, mas só à bocado é que me contaram. Olhe, tenho estado a ouvir na rádio e já deram na televisão. Lisboa está cheia de gente nas ruas. E de militares no meio das pessoas. Mas tudo pacífico. E o Marcelo Caetano e o Tomás acabaram de ser detidos e já não governam mais em Portugal. E estão a prender os Pides. Mãe, Portugal está a dar uma volta muito grande, isto está tudo a mudar. Venha comigo ali ao café do Largo ver na televisão. Têm estado a mostrar as pessoas na rua. Sabe o que elas gritam? Liberdade, liberdade! E gritam também: Fim da guerra colonial! Ah, minha mãe, já percebeu o que isso significa? Estou tão feliz, tão feliz!...»
*

De pé, no meio da Ria em baixa-mar, Ti Custódia deu por findo o trabalho desse dia no viveiro. Foi então que avistou o filho. Vinha a descer a falésia em direcção à Ria. Era tão parecido, este seu menino, com o irmão que morrera na guerra... Que lhe quereria ele? Não conseguiu deixar de se assustar. Será desta que sempre vai dar o salto? Será a despedida?
«O que tem, mãe, que está branca como a cal da parede?»
«Ai, filho, vens me dizer o tal adeus?»
«Ó mãe, que ideia... Eu já não preciso de fugir. Os tempos mudaram com a Revolução. A guerra de África vai acabar. Talvez eu já nem vá à tropa... Ó mãe, não vai haver mais fuga, nem salto, nem Ultramar. Sossegue o coração, mãe.»
Então Ti Custódia, com um suspiro fundo, ficou a olhar e a sentir a luz em jorros que enchia a manhã, a vida na Ria feita de murmúrios de moluscos e bivalves, correres apressados de caranguejos, voos e grasnidos de gaivotas, o baloiçar suave de barcos e botes, reflexos translúcidos nas águas calmas, a igreja e o Forte lá no alto, as piteiras e espinheiros na encosta, a ilha dourada pelo sol quente, o azul do céu e o azul do mar e o azul da Ria. E sorriu. Pela primeira vez em cinco anos. Era tão bela, de uma beleza transbordante e divina, a Ria Formosa!

A minha primeira pergunta em 1961 , porquê? que via ser de nós portugueses, na minha pacata vila alentejana acharia que não me tocava as tristezas de uma guerra, 14 anos depois voltaria a ansiedade e a mesma pegunta ... o tempo deu-me a resposta !
Um belo texto que recebi ... espero que o autor não se importe de eu o postar.. e que
para quem o ler são memória de um passado recente , Lembrar para não esquecer !

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ÉS O SONHO POR SONHAR .....!



Na graciosidade de liras
sinto-te
- sem nunca me teres tocado!
Purifico meu corpo, mãos e lábios
e vejo-te sim
- aqui a meu lado
- sem nunca te ter tocado!
Não serei tudo
o que querias que fosse
apenas….
nos segredos que não partilhamos
ainda!
És meu sonho por sonhar
toque por tocar
beijo por beijar…

Serei
diáfana, inventada
no resto do teu mundo.
Guardo gestos matizados
promessas amordaçadas
gritos não escutados…
por acontecer
ainda!


Aos grandes amores sonhados... um , dois !??

sábado, 28 de agosto de 2010

SONATA



Sonata

Sem batuta, sem maestro. De improviso. Com uma abertura de aromas, no silêncio das vozes. Seguindo uma partitura pegada, no seu início, de apassionatos, andamentos lentos, cadência ritmada. Compasso binário.

Uma melodia a quatro mãos. Dedilhando nos corpos em que identificamos claves e pautas, bemóis e sustenidos, agudos e graves. Quais caixas de ressonância. Que de facto são.

Mergulhamos nas variações e inventamos arranjos, novos acordes, suscitamos diferentes acústicas. Sempre com bis no final de cada refrão. Prolongado a coda de cada andamento.

E prosseguimos em crescendos, recusando calar os agudos e os graves, numa escala que já não dominamos. Numa fantasia em que fica à prova o nosso virtuosismo.

Em tudo a sintonia entre o desejo e a emoção. Até desaguarmos num aleggro maestoso, corpos exaustos, mas nunca rendidos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

SOUSEL EM FESTA ..OU FESTA EM SOUSEL!!?


Minha terra meu país,será então.
Esta campina,este mar,onde me vejo
O sossego,o calor,tão enorme solidão.
Brilha mais o sol ,em terras do Alentejo
No verão,há aqui muito calor de sobejo
Quem este não conhece aqui vem banhar.
Tal calor,pregão de todo mundo arde .
É aqui, a nossa riqueza sem ter mar
Esta calor, que não nos pode abandonar
O Sol nasce mais cedo e esconde mais tarde.

Este Alentejo, que sua gente não esquece
Ajudado por cima luz de maior calor:
Como tal beleza.nem uma alma arrefece
Quem lhe pode negar,uma reza à SENHORA
Que não falte,pão ceifado com tal calor
Os seus filhos, como tal agradecidos;
Da tua riqueza, mesmo que seja tarde:
Por Deus e natureza não serão esquecidos
Também têm lugar aqui, todos os vencidos
É aqui que o meu sentimento e alma arde.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

SOLDADOS DE DEUS


Quando transformo a guerra em
poesia levo a meus soldados a
ilusão que vale apena morrer
por um ideal.
Falo sobre os revés da vida
e que só quando eu morrer
é que irei ser imortal.

Terrível seria um soldado amar
a própria vida.
Sou um soldado sou sim, e como
eu tem vários outros iguais a mim.
Lutei venci e hoje cuido dos meus
quem luta a favor da vida é chamado
soldado de Deus.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

REFLEXOS DO TEMPO !





Há ventos
Que nos trazem pessoas
No reflexo do tempo.
Mesmo a distância,
Perpetuam-se no pensamento.
......São fotografias
Das quais a saudade
Terá sempre os negativos
Revelados na memória.
Há pessoas
Que nos trazem ventos
No reverso do tempo
Preso à substância,
Revelando sentimentos.
São maravilhas
Das quais a sinceridade
Terá sempre os negativos
Revelados na história

domingo, 1 de agosto de 2010

E DAÍ .... FAÇO ANOS !


No dia do aniversário
A gente às vezes tem vontade
De se esconder dentro do armário
Mas aí vem um com um beijo
Outro realizando um desejo
E aquele que está sempre atrasado
Chega super animado
Estourando um champanhe
Mesmo que eu estranhe
E não entenda muito bem
Por que tantos parabéns
Fico feliz com os presentes
Agüento melhor os parentes
E não me pergunto na hora
O que há de mentirinha
Nessa anual história
Quem me dera tanto afeto
Duas vezes por semana
Pra derreter a couraça
Pra amenizar minha gana
Congelaria se possível
Muitos pedaços do bolo
Pra durante o ano carente
Come-los como consolo

sábado, 31 de julho de 2010

HOJE É TEMPO DE SER FELIZ !!


HOJE É TEMPO DE SER FELIZ!

A vida é fruto da decisão de cada momento. Talvez seja por isso, que a ideia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver.

Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existência as mais diversas formas de sementes.

Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe...

Para cada dia, o seu empenho. A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!"

Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura.

Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos!

Infelicidade, talvez seja o contrário.

O que não podemos perder de vista é que a vida não é real fora do cultivo. Sempre é tempo de lançar sementes... Sempre é tempo de recolher frutos. Tudo ao mesmo tempo. Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã!

Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas.

Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores...

Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.

Cuidado com os amores passageiros... eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam...

Cuidado com os invasores do seu corpo... eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem...

Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...

Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade...

Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.

Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.

Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.

Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.

Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito...

A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..."

Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.

Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.

Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem sou eu pra duvidar... (?)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O PORQUÊ DOS NOSSOS DESEJOS.....!


Depois de tantos anos ..... como o tempo passa ,não esqueci mas não pela melhor razão
para mim , um catraio de onze ou doze anos ingénuo mas muito observador, assim como não quer a coisa.
Deve ter sido de facto nesse ano que começaram a haver turmas mistas, porque na EICE a separação era evidente.Pátio das meninas ,sempre vestidinhas com a bata branca e os meninos em outro pátio de roupa normal e joelhos escalavrados do futebol no alcatrão .
Entre muitos havia 3 ou 4 rapazes de Sousel no ciclo preparatório: O Manuel Pinheiro(já falecido) O Basílio Ramos o Leonel Painho e Eu,outros que já não me lembro e havia então as meninas na qual duas delas eram de Estremoz,que ficaram na minha memória.
Começou então o despertar para os namoricos , coisas de miúdos ,não é eu tinha uma que não tirava os olhos de mim, a Graça até era bonitinha mas esta coisa do coração é muito complexo até me sentia mal e me incomodava ,queria que ela deixasse de gostar por o meu coração estava apontado para outro lado.
Olhava.olhava mas nada , também tinha uma perspectiva de visão não muito boa ,continuava ,só poderia olhar para ela nas aulas , no recreio era impossível.`
À saída do edifício tentava vê-la passar, iam sempre as duas a caminho de casa ,para a cidade.
Até que um dia decidi ir atrás dela para saber onde morava, mais valia ter-lhe dito que gostava dela mas soube onde morava, para quê?
Sim para quê! porque fui observando dias passaram e entendi que ela gostava de outro.
Ela era de facto muito bonita aos meus olhos, nem sempre se gosta de quem gosta de nós.... por este trilho de vida ela me ficou marcada e são de facto lembranças sempre presentes.
Ficou-me um desejo de a rever um dia ...... aconteceu !
Este é um porquê de um desejo.
Identificar os meninos da esqªpara a dirtª:Manuel,ZéPiteira,Basílio e Painho.

terça-feira, 27 de julho de 2010

ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE ESTREMOZ OU RAINHA SANTA .....!



Estou aqui..... não, estou lá ! Será a presença um facto ou o pensamento...
Mas eu não estou onde estou . quando vagueio por outro lados ,que me marcam mais que a própria presença.
Ora se estou aqui ,vou estar lá conjugando presença e pensamento , mais se acentua quando o pensamento encontra o que não se esquece.
O facto é que não esqueci e entrei na sala de aulas de Escola Comercial e Industrial e Estremoz , hoje Secundaria Rainha Santa e encontrei velhos colegas entre eles penso que seja uma antiga colega, que me apareceu nesta globalidade que é este meio de comunicação,para isso tive que lá estar .....
Se tive que lá estar,passei por lá, não a nostalgia , mas a pegada .. pegadas de anos .. Ela é e será sempre a minha Escola independemente do nome ou siglas reformistas .
Gosto mais assim ou como estava !?Claro que não é monumento nacional não alteriamos a Torre de Belém para´"edifício de escritórios" o tempo passa as realidades são diferentes à que adaptá-la a novas eras.
Será isso que está a ser feito... penso eu !?? para bem dos vindouros.
Vejam as diferenças ...